GERAL
Campo magnético da Terra já se moveu mais de 2.250 km, e organizações mundiais já se preparam para conter os danos
O campo magnético da Terra está mudando de posição em ritmo suficiente para obrigar sistemas de navegação do mundo todo a recalcular dados usados por aviões, navios, celulares e mapas digitais.
A mudança envolve o Polo Norte magnético, ponto para onde as bússolas apontam. Desde 1831, ele já saiu do Ártico canadense e avançou mais de 2.250 quilômetros em direção à Sibéria.
Campo magnético da Terra
O que mudou
O campo magnético nasce no núcleo externo da Terra, uma região formada por ferro e níquel em estado líquido. O movimento desses metais líquidos funciona como um gerador natural, capaz de gerar correntes eletromagnéticas.
Como esse núcleo está sempre em movimento, o campo magnético também muda. Por essa razão, o norte magnético não fica parado como o Polo Norte geográfico, marcado no mapa por um ponto fixo.

O polo norte magnético da Terra ganhou velocidade principalmente a partir dos anos 1990, quando passou a avançar com mais força para o lado da Rússia Crédito: Pearson Scott Foresman / Wikimedia Commons
Segundo estudo publicado na revista Nature Geoscience, essa migração tem relação com dois grandes lobos de fluxo magnético localizados na fronteira entre o núcleo e o manto, um sob o Canadá e outro sob a Sibéria.

O lado canadense perdeu influência na superfície. Com isso, a região siberiana passou a exercer maior atração sobre o ponto que orienta bússolas e sistemas de direção, desviando a direção Crédito: Cavit / Wikimedia Commons
Sistemas de navegação
Para acompanhar essa movimentação, cientistas atualizam o Modelo Magnético Mundial (World Magnetic Model), conhecido como WMM. Ele é usado como referência global por governos, empresas de tecnologia e setores de transporte.
A versão WMM2025 foi lançada em dezembro de 2024 pela NOAA, pelo British Geological Survey e por órgãos de defesa dos Estados Unidos e do Reino Unido. Ela deve valer até o fim de 2029.
O modelo ajuda equipamentos a converter o norte magnético em informação útil de direção. Sem essa correção, pequenos erros podem crescer em trajetos longos, especialmente em rotas aéreas, marítimas e polares.
O comportamento atual do norte magnético é algo que nunca observamos antes
William Brown modelador global do campo geomagnético do órgão em entrevista ao British Geological Survey
Brown explicou que o polo acelerou rumo à Sibéria nas últimas duas décadas, mas depois reduziu o ritmo de cerca de 50 para 35 quilômetros por ano, a maior desaceleração já registrada.
Impacto real
Para a maioria das pessoas, a mudança não altera a rotina de forma perceptível. O GPS do celular usa satélites, mas também combina sensores internos, mapas e bússola digital para melhorar a orientação.
Quando o modelo magnético fica desatualizado, a direção apontada por esses sistemas pode perder precisão. Em uma caminhada curta, isso é quase irrisório. Porém, viagens que cruzem centenas ou milhares de quilômetros podem ser afetadas com erros.
Os setores mais atentos a essas mudanças são:
- aviação, por causa de rotas e pistas orientadas pelo norte magnético;
- navegação marítima, principalmente em áreas remotas;
- satélites, drones e sistemas autônomos de alta precisão.
Sem pânico
O campo magnético da Terra já mudou muitas vezes ao longo da história. Ele também já passou por inversões completas, quando os polos magnéticos trocaram de lugar, mas esse processo costuma levar muito tempo.

Até agora, o deslocamento do norte magnético exige atualização de modelos, não medidas de emergência para a população. A proteção magnética do planeta segue funcionando normalmente Crédito: Sch /












