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RAIMUNDO FERREIRA

Desde Cícero, envelhecer mantém as mesmas características, escreve em sua coluna desta quarta-feira, 24, o professor Raimundo Ferreira

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SABER ENVELHECER

Estávamos aqui relendo o livro Saber Envelhecer, do filósofo romano Cícero, e, para nossa surpresa, apesar do tempo decorrido, as características e debilidades naturais dessa fase da vida, hoje denominada de melhor idade, continuam praticamente as mesmas. Ou seja, ainda somos muito semelhantes aos nossos antepassados.
Pelo visto, mesmo considerando os avanços tecnológicos e as orientações transmitidas por meio de aprendizados formais e especializados, que aparentemente nos fazem crer em uma grande contribuição para a modificação do caráter e da personalidade, as características comportamentais apresentadas na velhice, com raras exceções, têm se modificado muito pouco, ou quase nada, ao longo das gerações.
Os sintomas da falta de senso de humor, a teimosia, a pouca disposição para manter o estado de espírito elevado, de modo que a vida possa ser enfrentada com leveza, entre outros hábitos típicos dessa fase da existência, continuam presentes e pontuando o cotidiano das pessoas idosas.
Em 106 a.C., Cícero já sinalizava que virtudes como a alegria, o bom humor, a disposição para se integrar, divertir-se e participar da vida de forma leve e serena constituem características da personalidade cultivada desde a juventude. Em outras palavras, se a pessoa não foi um jovem de elevado estado de espírito, capaz de encarar a vida de maneira tranquila e até divertida, dificilmente aprenderá isso na velhice.
Conforme afirma Cícero: “As pessoas alegres, divertidas e de bem com a vida suportam facilmente a velhice, enquanto as pessoas amargas, de temperamento triste e rabugentas, tendem a ser deploráveis em qualquer idade.”
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta algumas diretrizes consideradas básicas para administrar a terceira idade de forma saudável, preservando a autonomia e a qualidade de vida.
Em primeiro lugar, vem a saúde: prevenção de doenças, alimentação equilibrada, sono de qualidade e prática regular de exercícios físicos.
Em segundo lugar, a participação: manter-se engajado na sociedade e na vida comunitária, participar de ações voluntárias e de atividades culturais.
Em terceiro lugar, a segurança: proteção social, estabilidade financeira e acessibilidade, garantindo condições adequadas para uma vida estável e digna.
Por último, destaca-se a aprendizagem contínua, ou seja, o estímulo permanente das capacidades cognitivas por meio de novos conhecimentos ao longo da vida. Afinal, permanece válida a antiga ideia de que nunca é tarde para aprender, até porque a mente, assim como os demais componentes do corpo humano, necessita de exercício constante.
Tomar uma cerveja com moderação talvez também possa ser incluído nesse rol de atividades capazes de contribuir para uma velhice mais agradável e descontraída.

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