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Jovem do Jordão que fez rifas para custear os estudos, fala como foi pisar na UFAC: “Múltiplos sentimentos”

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Roseli Cavalcanti no 1° dia de aula na UFAC

Por Wanglézio Braga / Foto: Arquivo Pessoal

Em janeiro deste ano, o AcreNews mostrou a iniciativa da jovem Roseli Cavalcanti, de 20 anos, que vendeu rifas para custear a passagem do Jordão para Rio Branco bem como as despesas iniciais com a faculdade. Cinco meses depois da nossa publicação, a reportagem conversou com ela novamente onde detalhou o processo de mudança e falou das expectativas para o curso na Universidade Federal do Acre (UFAC).

Roseli encarou duas horas de voo num avião pequeno, do pequeno aeródromo do Jordão até o Aeroporto Internacional de Rio Branco. Isto aconteceu em março, mês que iniciou as aulas. Na bagagem, além de muita vontade de realizar um sonho, de cursar uma faculdade, ela também trouxe a saudade da vida simples de sua terra natal, dos amigos e principalmente da família.

“A chegada à capital foi um pouco difícil, nos primeiros dias. Na verdade, desde que saí do Jordão até chegar aqui foi difícil por causa da minha família, por causa da minha vida lá. Foi uma experiência muito complicada ter que procurar um lugar para ficar, de saber lidar com as coisas, com a cidade, com o ritmo da vida acadêmica (…) Quem acompanhou a minha história até aqui sabe que não foi e nem vem sendo fácil”, comentou.

O dia mais aguardado chegou. O início das aulas do curso de Saúde Coletiva. A faculdade exige tempo integral de estudos, tempo que Roseli tenta dividir com as tarefas de casa e outras atividades.

“A sensação de chegar pela primeira vez na UFAC foi um misto de felicidade com angústia, medo e desespero. Múltiplos sentimentos. Venho à minha cabeça várias perguntas. Será que vou conseguir? Será que vou assimilar os conhecimentos? Vou compreender esse ritmo? Vou aguentar?”, indagou.

O dinheiro das rifas que Roseli promoveu além de pagar a passagem tem sido usado também para sanar as despesas como alimentação e moradia. “O dinheiro arrecadado me ajuda a pagar a estadia em Rio Branco. Não tem como trabalhar por causa do meu curso, ele é integral. Isso sobrecarrega muito para mim. Às vezes nem compensa ir pra casa fazer alguma coisa porque é longe e se torna algo cansativo. Eu prefiro ficar direto na universidade, da manhã até a noite, estudando e fazendo os meus bicos”, disse.

Inerente ao curso da UFAC, Roseli quer se especializar em Designer de Sobrancelhas. Ela fez cursos rápidos na área para conseguir tirar uma renda extra. “Fiz um curso depois que cheguei. Foi à forma que encontrei para ajudar no meu sustento, afinal, não tenho condições de depender apenas das bolsas da universidade. Hoje tô fazendo as sobrancelhas das colegas na UFAC e até das vizinhas de casa. Esse dinheiro serve para pagar livros, cópias e outros materiais”, ressaltou. 

Após uma avaliação positiva do curso, dos colegas e da universidade, Roseli deixa uma mensagem positiva aos nossos leitores da importância de acreditar nos sonhos e fazer valer cada oportunidade.

“Acredito que o começo é difícil para quem busca, para quem luta. Não podemos viver só os dias de glórias, precisamos passar pelos dias de lutas. Eu estou vivendo essa fase. Sai da minha cidade onde só chega de avião ou de barco. De avião é perigoso, de barco são quase três dias de viagens dependendo dos rios. Tem as questões financeiras, tem a saudade da família, mas isso não vai me fazer desistir. E se Deus quiser vou terminar esse curso, me formar! Estou ansiosa para esse dia, assim como também estou ansiosa para a chegada do meu irmão que também vai morar em Rio Branco para estudar geografia. A vitória vai ser em dupla”, concluiu.

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Acre conhece ações aéreas de fiscalização e combate aos incêndios florestais no MT

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A equipe do Batalhão de Emergências Ambientais do Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso recepcionou a comitiva acreana na manhã desta quinta-feira, 18, em Cuiabá (MT), para apresentação das ações do grupo de aviação que atua no combate ao desmatamento e incêndios florestais.

O capitão Macksen Semoto expôs um panorama das ações com voos de reconhecimento, monitoramento, fiscalização e combate aos ilícitos ambientais.

A comandante do Batalhão, Jusciery Rodrigues, destacou a importância do apoio financeiro do Programa REM para as ações desenvolvidas pelo grupo no combate aos incêndios, como na aquisição de kits para que os brigadistas contenham os focos de incêndios de pequena proporção, e ressaltou também as contrapartidas do Batalhão na formação de brigadistas em terras indígenas.

Participaram da visita a gerente do Programa REM Acre Fase II, Rose Sena; o diretor executivo do Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac), Cristhyan Carcia; o chefe da Divisão de Uso do Solo do Imac, Kassem Quintela; o subdiretor de Planejamento do Corpo de Bombeiros Militar do Acre (CBMAC), Matheus Bertholdi; o tenente do Centro Integrado de Operações Aéreas (Ciopaer), Roger Filgueira;  a coordenadora da Divisão de Áreas Naturais Protegidas e Biodiversidade da Semapi (Dapbio), Mirna Caniso; a coordenadora da Comunicação do REM Acre,  Ângela Rodrigues; os consultores internacionais Dan Pasca e Elsa Mendoza; o assessor técnico da Cooperação Técnica Alemã – GIZ no Acre, Jânio Aquino; e a diretora do Projeto REM-GIZ-Brasil, Alicia Spengler.

[Ascom]

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Aluna de medicina cria projeto para comunidades carentes sem envolvimento com política

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A acreana estudante de medicina Ranna Aguiar, 24, que lidera um projeto chamado Sobre Ações de Amor, está mobilizando a sociedade para um evento no dia 17 de setembro no bairro Taquari. O objetivo é levar atendimento médico, odontológico, jurídico, fisioterapêutico, além de cestas básicas, roupas, sapatos, livros e brinquedos. “Se as pessoas tiverem interesse em ajudar a gente serão bem-vindas”, diz ela, que faz questão de avisar: não tem política em meio a esse negócio.

Para levar o bem a comunidade do Taquari, Ranna pede auxílio. “Que as pessoas possam doar, se voluntariar, compartilhar, tudo é de extremo valor”, diz a aluna de medicina, cujo contato é (68) 99603-0611.

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Prefeitura de Rio Branco realiza ação em alusão ao Agosto Lilás na Cidade do Povo

Ação levou informações e orientações aos moradores no combate à violência contra a mulher

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A prefeitura de Rio Branco, por meio da secretaria Municipal de Assistência Social e Direitos Humanos (SASDH), em parceria com a Unidade de Referência em Atenção Primária (URAP) da Cidade do Povo, realizou na tarde de quarta-feira (17), uma panfletagem em alusão ao Agosto Lilás, levando informações e orientações aos moradores do bairro.

(Foto: Evandro Derze/Assecom)

A campanha é realizada em todas as regionais, por meio das Unidades de Saúde, CRAS, CREAS e escolas, com atividades de conscientização. Durante a caminhada a diretora de Direitos Humanos da SASDH, Rila Freze, reforçou a importância da ação que visa reduzir a violência contra a mulher no município.

(Foto: Evandro Derze/Assecom)

“O prefeito Tião Bocalom sempre está nos dando essa liberdade de trabalhar, assim como a nossa secretária Marfisa Galvão. Então estamos todos os meses, não só em agosto. É uma ação contínua dentro do município de Rio Branco”, disse.

Gerusa Souza é uma das moradoras da Cidade do Povo que recebeu as orientações da equipe.

(Foto: Evandro Derze/Assecom)

“Às vezes a mulher sofre violência dentro de casa calada e não tem coragem de denunciar o agressor, porque às vezes é ameaçada psicologicamente. Eu acho que essa campanha é muito importante para que a mulher venha ter força para denunciar”, expressou.

(Foto: Evandro Derze/Assecom)

O combate à violência contra a mulher deve ser diário. Por isso é necessário reforçar os canais de denúncia. Caso você ou alguém próximo esteja sofrendo algum tipo de violência, se dirija a delegacia mais próxima ou ligue para 180 ou 190. A prefeitura de Rio Branco dispõe de uma rede de proteção dando assistência e orientações para que essa mulher seja protegida.

Francisco de Oliveira é casado com dona Maria Francisca há mais de 40 anos. Ele falou como a campanha é importante e como os homens devem ter respeito pelas mulheres.

“Mulher é para ser respeitada e não judiada, até porque nós somos filhos de mulher. Então não podemos judiar delas. Estou casado com a minha esposa há 48 anos. Graças a Deus, eu amo muito ela e, até hoje, não tenho o que dizer”, expressou.

[Dircom]

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