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Recordista mundial em navegação solitária veio ao Acre a convite de um pastor, gostou, e revelou ao AcreNews que vai ficar por aqui mesmo

Aladir Murta já tem projeto de uma expedição no rio Acre

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O maior navegador solitário do mundo está no Acre e, pelo que disse à reportagem do AcreNews, está praticamente decidido a terminar sua vida por aqui. Aos 81 anos, mas esbanjando vigor, Aladir Murta, um praça aposentado do Exército Brasileiro, chegou ao Acre por intermédio de um ilustre acreano, o pastor Roberto Casas, conhecido como um dos três maiores ministradores do evangelho no Brasil. Eles se conheceram em um vôo, o convite foi feito e Aladir veio palestrar. Está na chácara do projeto missionário do pastor Casas, na estrada de Porto Acre, uma hospedagem temporária porque já trabalha com a possibilidade de arranjar por aqui uma moradia. “Adorei o Acre”, confessou, em uma conversa bem descontraída em frente ao Palácio Rio Branco. “Devo terminar minha vida por aqui”, informou.

Seu Aladir é recordista mundial de navegação solitária. Nos últimos 18 anos percorreu 120 mil quilômetros de rios no Brasil todo. Remou todo o rio São Francisco, parte do Solimões e Negro, apenas para citar os maiores. No Acre planeja uma grande expedição pelo rio Acre. Até o final do ano ele vai escolher um trecho do nosso rio para navegar com seu caiaque e todo o aparato que o acompanha. Aladir não rema atoa. Defensor do meio ambiente, seus projetos de expedições tem objetivo de chamar a atenção para as malvadezas que os homens fazem contra suas torrentes. Até lá ainda tem muita novidade.

Pastor Roberto Casas, um dos maiores conferencistas do Brasil, trouxe o navegador Aladir para o Acre

CONHEÇA A HISTÓRIA DO ALADIR CONTADA PELO JORNAL O ESTADO DE MINAS

Aladir Murta, a bordo de um pequeno caiaque, demonstrou boa forma ao remar em Lagoa Santa, na Grande BH (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)

Aos 63 anos, muita gente sonha ter uma aposentadoria sossegada, com casa própria e rotina tranquila. Nessa idade, com sete filhos criados, o mineiro Aladir Murta se desfez de imóveis e pertences para encontrar sua verdadeira vocação. Numa canoa de madeira, seguiu pelo Rio Araguaia, chegou à Ilha do Bananal e não parou mais. Brasil afora alcançou o Solimões, Negro, Amazonas, São Francisco, Velhas e tantos outros até atingir 60 mil quilômetros percorridos. Em 13 anos de expedições, ele completa 76 anos, sendo considerado o maior navegador solitário do mundo por revistas especializadas.

Nascido num encontro de rios em Itira, distrito de Araçuaí, e criado em Coronel Murta, cidades do Vale do Jequitinhonha, Aladir acaba de voltar às origens e concluir a travessia “mais difícil e bonita que existe”. Em três meses, remou em sua canoa – agora de fibra de vidro – por mais de 1 mil quilômetros no Rio Jequitinhonha, de Medanha, distrito de Diamantina, até a foz, em Belmonte, na Bahia. Emocionado depois do reencontro com o curso d’água de sua infância, Aladir veio a Santa Luzia, na região metropolitana, visitar a mãe, de 104 anos, e conversou com o Estado de Minas sobre as aventuras a bordo. A próxima investida será percorrer novamente o Velho Chico, da Serra da Canastra à foz.

Antes de ser navegador, Aladir foi cabo do Exército e lapidário de pedras preciosas, trabalhou também numa pequena indústria e cruzou o país numa moto. Mas importante para ele foi a história que começou a escrever em 14 de setembro de 2000. “Lia muito sobre o Rio Araguaia e tinha muita vontade de conhecê-lo. Lá, descobri que se navegasse um quilômetro, navegaria dois até chegar a 60 mil”, conta o navegador, que se tornou presidente da Associação de Proteção do Rio Araguaia e da Ilha do Bananal.

Canoa utilizada pelo navegador já o levou a várias regiões brasileiras, inclusive à Amazônia (foto: Aladir Murta/Reprodução)

Desde o início da aventura, Aladir não tem residência fixa e o celular vive fora de área. “Quem quiser me encontrar, é só ir a um rio”, diz. Na embarcação guarda tudo que precisa: barraca, colchão inflável, rede, duas panelas, duas varas de pescar, um fogareiro, um facão e alguns mantimentos em garrafas PET. Num outro compartimento, duas calças, duas bermudas e duas blusas. Os documentos vão num tambor, para não correr o risco de molhar – o suficiente para sobreviver entre as margens dos rios, onde histórias fantásticas e lendas se fundem.

Homem de fala lenta e palavras simples, Aladir parece até conversar num outro idioma quando começa a contar dos trajetos dos rios e nomes de tribos. No Araguaia, passou dias atracado, cuidando de uma onça ferida. Num outro episódio, próximo a Aripuanã, em Mato Grosso, ele viu um ritual de canibalismo. Também já se deparou com jacaré de sete metros na Amazônia e tomou uma capivara da boca de uma sucuri. “É nesse lugar que tem a cobra grande, de mais 20 metros”, conta. Mas essa seu Aladir não viu. “Só que eu vi quem viu a cobra”, diz o navegador, mostrando sabedoria.

Aladir já percorreu praticamente todos os rios do país, inclusive o das Velhas, da nascente à foz (foto: Leandro Couri/EM/DA Press)

PELAS ÁGUAS

A remo, cruzou fronteiras com Peru, Colômbia e Paraguai, superou quedas d’água de 10 metros de altura, navegou o São Francisco e o Velhas três vezes cada um e, nessas viagens, passou por alguns apuros. Já naufragou, enfrentou tempestades, comeu peixe cru por uma semana, foi assaltado cinco vezes e, sem outra opção, teve que beber água do poluído Rio das Velhas. “Foi lá em Santana do Pirapama. Passei a mão como se estivesse limpando e tomei. Tem uns cinco anos e até hoje não tive nada, não”, assegura o navegador.

O casamento com a segunda mulher terminou assim que a aventura pelos rios começou, mas as águas lhe trouxeram também amores, como Fabiana, uma professora de Ipoeiras, no Tocantins. O romance é uma das passagens contadas no livro Além dos rios, biografia de Aladir Murta lançada em 2009. Por causa dessa aventura, ele se tornou ambientalista e, a cada cidade, dá palestras sobre o meio ambiente. Em cada município, também recolhe certificados comprovando que passou navegando pelos lugares. “Agora quero entrar com os papéis para conseguir o título de maior navegador solitário pelo Guiness”, diz.

E, segundo ele, a solidão é relativa. “Quando estou no rio converso com as plantas, com os animais. A minha navegação é solitária para essa sociedade que vive em um mundo cão, contaminado pelo vírus da destruição. Tem gente que me acha louco, pena que não são loucos como eu, porque seriam felizes como sou”, diz. Depois de 13 anos, Aladir confessa que os braços estão começando a dar sinais de cansaço, mas nem por isso ele vai abandonar a navegação. “Quando entro num rio, é como se eu fosse uma criança, e quando chego ao mar, é como se tivesse alcançando o céu.”

Rio Araguaia ao entardecer, em imagem feita pelo mineiro nascido no Vale do Jequitinhonha (foto: Aladir Murta/Reprodução)

SONHO

Ainda criança, sempre tive o desejo de ser grande como o mar e também ser simples como ele, que tem a humildade de ficar abaixo de todos os rios do mundo

SEM RUMO

Deixo acontecer. Vou visitar um rio e, quando assusto, já estou chegando ao outro. Não uso mapas nem nada, vou perguntando para os ribeirinhos. Brinco com a fúria da natureza, mas sempre respeitando os limites do rio

DEGRADAÇÃO

Nossos rios estão com uma vela na mão, todos poluídos. As autoridades estão demorando a agir. Elas têm que largar o papel e a mesa e começar a agir na prática

JEQUITINHONHA

É rio com paisagens mais bonitas. Mas, em vários pontos, a água é barro, o leito está todo assoreado e a vegetação destruída. Vi dragas maiores do que uma casa.

IRREGULARIDADES

Acho que depois de navegar tanto, tenho o direito de cobrar mais da área da fiscalização. Ela é fraca e arbitrária. O governo beneficia quem não tem um anzol na mão. O que vemos aí é mulher de vereador recebendo bolsa de auxílio ao pescador.

PEDIDO

Se um dia, por acaso, me encontrarem morto junto das águas, peço que não me tirem de lá, mas me enterrem na beira de um rio.

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Gabriela Câmara apresenta parte do novo complexo de comunicação Boas Novas a colaboradores e líderes de audiência

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A gerente geral da rede Boas Novas no Acre, Gabriela Câmara, apresentou as novas instalações do complexo de comunicação que está sendo erguido no centro de Rio Branco cujas obras estão em fase de acabamento. Ela chama o grupo de “família Boas Novas” e deixou todos surpresos com o espaço onde vão trabalhar a partir de outubro. O ambiente é altamente moderno, um convite ao profissionalismo, segundo ela.

Gabriela Câmara escreveu o seguinte para apresentar sua nova empresa:
“Uma empresa se faz de talentos e não apenas de tijolos, barro, areia e por isso me senti tão feliz ao poder receber parte de nossos meus amigos apresentadores da Boas Novas é mostrar como está ficando nossas novas instalações, a nova sede localizada na Avenida Ceará.

Uma alegria poder preparar um espaço com tanto carinho e dedicação para ser a casa do Complexo de Comunicação Boas Novas. Daremos mais qualidade aos nossos ouvintes, colaboradores e visitantes, agradecemos toda equipe da boas novas na pessoa da nossa idealizadora, fundadora e mantenedora oficial Missionaria Antônia Lúcia e Pastor Silas Câmara.

Entre os apresentadores da nossa grande que estiveram conosco na visita estava Vânia Mendonça, que apresenta o “ Bom dia vida”, Waldecir Barbosa o programa “tarde sertanejo” e José Raimundo apresentador do programa “ top gospel “.

Meu mais profundo desejo é que essa nova estrutura e avanço tecnológico e nossos talentos pessoais estejam sempre a serviço de Deus”.

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Em setembro, INPE disparou sete alertas de desmatamento em Manoel Urbano

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Por Wanglézio Braga / Foto: Reprodução

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) através de consulta ao Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (DETER) aponta crescente ação de desmatamento no município acreano de Manoel Urbano, distante 228 km da capital, Rio Branco.

A autarquia disparou, somente neste mês de setembro, sete alertas totalizando 5,30km2 de desmatamento. Segundo o instituto, a principal causa do alerta diário para Manoel Urbano é o desmatamento com solo exposto, que deixa a terra sem vegetação e altera a cobertura florestal na Amazônia.

Não é de hoje que o órgão manifesta preocupação quanto à situação da degradação da floresta nesta cidade acreana. No mês passado, em agosto, por exemplo, o INPE promoveu alerta no dia 19, onde apontou 0,61 km2 de retirada de floresta naquela cidade.

TARAUACÁ TAMBÉM DESMATA

A poucos quilômetros de Manoel Urbano, já na cidade de Tarauacá, o instituto também alertou no mês passado (dia16), o desmate de 1,38 km2. Neste mês, em setembro, o município que compõe a região do Envira já teve cinco advertências de desmatamento, totalizando 4,37km2 de desflorestamento.

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No interior do Acre já choveu 16% acima da média para o mês de setembro

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Por Wanglézio Braga / Foto: Wanglézio Braga

Levantamento do portal O Tempo Aqui, publicado hoje (17), revela que já choveu acima da média em boa parte do Acre. O acúmulo de chuva muda um cenário totalmente diferente do que vimos nos meses de agosto e parte de setembro.

“As chuvas intensas que têm ocorrido no Acre já superaram a média climatológica de setembro em vários municípios do estado, entre eles, Tarauacá, Xapuri, Brasileia, Epitaciolândia, Assis Brasil, Feijó e Marechal Thaumaturgo”, comentou o pesquisador Davi Friale.

Citando Tarauacá, ele ressalta que já choveu, nos primeiros 16 dias de setembro, 130,2mm, conforme os registros da estação meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia, sendo que a média histórica do mês é 112,0mm”. “Portanto, nesta cidade acreana, as chuvas já estão 16,2% acima da média de setembro”, completa.

Usando dados da Agência Nacional de Águas e do Instituto Nacional de Meteorologia, é possível ver a quantidade de chuva que caiu nas cidades de Feijó (42,8mm), Tarauacá (41,2mm), Marechal Thaumaturgo (38,4mm), Jordão (33,8mm) e Sena Madureira (26,4mm).

Por conta das chuvas, os níveis dos principais rios aumentaram consideravelmente. Hoje, na capital acreana, Rio Branco, “o rio Acre marcou 1,60m e continuava subindo, devendo permanecer em elevação, tendo em vista as chuvas torrenciais ocorridas no seu alto curso”.

CHUVAS VÃO CONTINUAR

Um prognóstico feito por Friale prevê que na próxima semana, a primeira da primavera de 2021, que começa no dia 22 de setembro, chegará com “chuvas fortes, com possibilidade de temporais, e voltarão a ocorrer devido a mais uma frente fria fraca que chegará ao Acre e às áreas vizinhas, cujo encontro com pulsos úmidos do Atlântico Norte deixa o tempo bastante instável”. “Assim, é muito provável que o mês de setembro de 2021 será com chuvas acima da média na maior parte do Acre”, concluiu.

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