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NOAA prevê ‘super El Niño’ com pico entre outubro e dezembro; fenômeno deve intensificar extremos climáticos

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Foto: Marciel Bezerra/GOVCE

Por Alessandra Karoline

O cenário climático para o segundo semestre acendeu um sinal de alerta global. Uma atualização do monitoramento divulgada nesta quinta-feira (9) pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) aponta que o fenômeno El Niño tem altas chances de atingir uma intensidade “muito forte” entre os meses de outubro e dezembro, período que abrange a primavera e o início do verão no Brasil.

Se as projeções se confirmarem, o fenômeno pode atingir o patamar de um “super El Niño”, classificação utilizada quando a temperatura das águas do Oceano Pacífico Equatorial fica pelo menos 2 °C acima da média histórica. O El Niño tradicional é caracterizado pelo aquecimento dessas águas em pelo menos 0,5 °C por alguns meses, combinado com o enfraquecimento dos ventos que sopram de leste para oeste.

Historicamente, o fenômeno altera drasticamente o regime de chuvas e temperaturas na América do Sul. No ciclo registrado entre 2023 e 2024, por exemplo, o El Niño foi o responsável por provocar chuvas devastadoras na região Sul do Brasil e uma seca histórica na região Norte. Para este ano, a previsão já indica precipitações acima da média para os estados do Sul a partir do inverno, intensificando-se na primavera, quando o fenômeno deve alcançar o seu pico.

De acordo com Marilene de Lima, meteorologista do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia de Santa Catarina (Epagri/Ciram), o monitoramento contínuo é fundamental para mensurar os impactos reais.

“A gente tem pelo menos uns sete meses para poder dizer que se trata, de fato, de um El Niño. De uma forma geral, as chuvas ficam acima da média, entre 20%, 30% ou mais, acima do que seria esperado para a primavera no Sul do país”, explica a especialista.

Apesar do alerta emitido pela agência governamental norte-americana, a meteorologista ressalta que a presença do El Niño, por si só, não é garantia de eventos extremos de chuva. O perigo real mora na interação do aquecimento do Pacífico com outros fatores climáticos locais.

Frentes Frias: A chegada de massas de ar frio vindas do sul do continente;

Ventos em Altos Níveis: Correntes de vento na média e alta atmosfera que funcionam como esteiras transportadoras de umidade;

Consequência: A combinação desses sistemas com o El Niño é o que costuma travar frentes estacionárias, provocando dias consecutivos de chuva volumosa e intensa.

Como as medições da temperatura da água são atualizadas mensalmente pela NOAA, institutos de meteorologia brasileiros reforçam a necessidade de que governos e a população acompanhem de perto as previsões de curto e médio prazo para mitigar possíveis desastres naturais nas regiões de risco.

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