SAÚDE
Mosca decompositora é registrada pela primeira vez no Acre e amplia mapa da espécie na Amazônia

Uma espécie de mosca conhecida por atuar na decomposição de matéria orgânica foi registrada pela primeira vez no Acre. A Dexosarcophaga globulosa, descrita pela ciência em 1946, foi encontrada em Rio Branco e passa agora a ter ocorrência confirmada em quatro estados da Amazônia brasileira.
Até então, dentro da região amazônica do país, a espécie havia sido registrada apenas no Pará, Amazonas e Roraima. A presença na capital acreana amplia a distribuição geográfica conhecida da mosca e integra os resultados de uma pesquisa do Museu Paraense Emílio Goeldi publicada em julho na revista científica internacional Journal of Medical Entomology.
O trabalho investigou moscas do gênero Dexosarcophaga e trouxe dois resultados principais: a descrição de seis espécies até então desconhecidas pela ciência e novos registros geográficos de outras seis espécies já conhecidas. Entre estas últimas está a encontrada em Rio Branco.
As moscas desse gênero têm importância científica, inclusive para a entomologia forense, porque participam da decomposição de matéria orgânica animal. Apesar de normalmente serem vistas como indesejáveis, as moscas exercem diferentes funções na natureza.
Elas ajudam a decompor matéria orgânica, algumas espécies atuam na polinização e outras servem de alimento para animais como aranhas e anfíbios. Há ainda moscas que são predadoras de outros insetos.
A pesquisa foi desenvolvida no Laboratório de Biodiversidade e Evolução de Panarthropoda, ligado à Coordenação de Zoologia do Museu Goeldi, pelos pesquisadores Matheus Tavares de Souza, Caroline Costa de Souza, Fernando da Silva Carvalho Filho e Maria Cristina Esposito.
Além do registro acreano, o levantamento identificou ocorrências inéditas de espécies do gênero em outros pontos da Amazônia. Algumas eram conhecidas anteriormente apenas em áreas bastante distantes.
A Dexosarcophaga angrensis, por exemplo, tinha registro somente na Mata Atlântica do Rio de Janeiro e agora foi encontrada em Bragança, no Pará. A Dexosarcophaga rudicompages, antes conhecida no Rio de Janeiro e no Panamá, apareceu em Novo Aripuanã, no Amazonas.
Outras duas espécies encontradas em Manaus representam os primeiros registros delas em todo o Brasil. Uma havia sido descrita anteriormente na Colômbia e outra na Guiana.
O estudo também resultou na descrição de seis novas espécies de Dexosarcophaga. Os exemplares estavam preservados em coleções científicas brasileiras havia períodos que variavam de 10 a 36 anos.
Os pesquisadores utilizaram principalmente características morfológicas dos machos para diferenciar as espécies. A análise da genitália desses insetos permite identificar estruturas específicas que funcionam como uma espécie de marca anatômica de cada espécie.
Segundo os pesquisadores, o longo intervalo entre a coleta dos exemplares e a descrição científica mostra o quanto a biodiversidade amazônica ainda é pouco conhecida. A quantidade de material acumulado nas coleções e o número limitado de especialistas em taxonomia fazem com que espécies possam permanecer décadas armazenadas antes de serem formalmente estudadas.
Com a pesquisa, Rio Branco passa a integrar oficialmente o mapa de ocorrência da Dexosarcophaga globulosa, acrescentando o Acre à distribuição conhecida da espécie na Amazônia brasileira.












