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POLÍTICA

Alan Rick não contesta pesquisa favorável de instituto que seu partido acusou de erros e falta de rigor técnico

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Republicanos apontou “vícios graves e múltiplos” e método inexequível em levantamento anterior do Veritá, mas não questionou a nova pesquisa que coloca o candidato à frente

A divulgação de uma nova pesquisa do Instituto Veritá, nesta terça-feira (8), colocou em evidência a postura seletiva de Alan Rick diante dos levantamentos eleitorais. O candidato do Republicanos, que tem recorrido à Justiça contra pesquisas que questiona, não apresentou contestação ao estudo no qual aparece à frente da governadora Mailza na disputa pelo governo do Acre.

Realizado por iniciativa própria do Veritá entre os dias 29 de agosto e 1º de setembro, o levantamento atribui 39,8% das intenções de voto a Alan Rick e 27,9% a Mailza no cenário estimulado. Tião Bocalom aparece com 11,7%, enquanto Thor Dantas, Dr. Luizinho e Eudo Rafael somam 12,5%. Brancos, nulos e entrevistados que não souberam responder representam 7,9%. A pesquisa, registrada no TRE-AC sob o número AC-08816/2026, informa nível de confiança de 95% e margem de erro de 3,5 pontos percentuais.

O silêncio de Alan chama atenção porque seu próprio partido já levou o Instituto Veritá à Justiça Eleitoral. Na representação nº 0600100-59.2026.6.01.0000, o Republicanos alegou a existência de “vícios graves e múltiplos” em outro levantamento realizado pela empresa no Acre e pediu que o instituto fosse responsabilizado pelas irregularidades apontadas.

Entre as críticas apresentadas estavam metodologia genérica, incompatibilidade entre o método declarado e o instrumento de coleta, divergências nos percentuais de renda, erros na identificação partidária de pré-candidatos e inclusão de perguntas que extrapolariam o objeto registrado. O partido de Alan Rick sustentou, inclusive, que a ausência de informações sobre bairros e setores censitários tornaria impossível verificar a execução da metodologia anunciada pelo instituto.

Os questionamentos receberam respaldo do Ministério Público Eleitoral. Em manifestação assinada em 22 de junho, o procurador regional eleitoral Vitor Hugo Caldeira Teodoro afirmou que as inconsistências encontradas não seriam “meras formalidades”, mas “deficiências estruturais que comprometem a integridade do processo democrático”.

O parecer foi ainda mais contundente ao afirmar que o Veritá apresentava um “padrão sistêmico de reprodução desses mesmos modelos metodológicos viciados em diversos estados”. Diante das falhas identificadas, o Ministério Público opinou pela procedência da representação apresentada pelo Republicanos e pela aplicação de multa ao instituto.

Apesar das acusações feitas por seu próprio partido e do parecer do MPE, Alan Rick não apresentou, até o momento, qualquer questionamento público à metodologia, à amostra ou ao processo de coleta da pesquisa divulgada nesta terça-feira. A diferença é que, desta vez, os números apresentados pelo Veritá beneficiam diretamente sua candidatura.

A mudança de comportamento coloca em dúvida o critério utilizado pelo candidato para avaliar a credibilidade dos levantamentos. Quando discorda dos resultados, Alan Rick recorre ao TRE e questiona os institutos. Quando aparece na liderança, deixa de apontar até mesmo as falhas que seu partido classificou como graves diante da Justiça Eleitoral.

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