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Inpe aponta que 8 em cada 10 focos de incêndio no Amazonas ocorrem em propriedades rurais privadas

Um levantamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), realizado a pedido do g1, revelou que quase 80% dos focos de incêndio registrados no Amazonas na primeira quinzena de outubro ocorreram em imóveis rurais privados cadastrados no Cadastro Ambiental Rural (CAR).
Entre os dias 1º e 15 de outubro, o satélite de referência do Inpe identificou 1.639 focos de calor no estado. Desse total, 79,1% estavam localizados em propriedades privadas, reforçando a avaliação de especialistas e órgãos ambientais de que grande parte das queimadas tem origem na ação humana.
O Amazonas enfrenta uma das piores crises ambientais dos últimos anos. A fumaça das queimadas tem afetado diversas cidades, incluindo Manaus, onde a qualidade do ar chegou a níveis considerados críticos. Segundo o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), somente na região metropolitana da capital os focos de incêndio acumulados em 2026 estão 109% acima da média histórica para o período.
Incêndios cresceram após o primeiro turno
Dados do Ipam mostram que o aumento mais expressivo das queimadas começou a partir de 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições. O comportamento chamou a atenção dos pesquisadores porque foge do padrão histórico da região, onde normalmente o número de focos começa a diminuir no fim de setembro.
A análise foi realizada com base nas informações do sensor VIIRS, instalado no satélite Suomi NPP, que possui maior capacidade de detectar focos de calor do que o satélite utilizado para o monitoramento oficial.
Especialistas destacam que ainda não é possível afirmar a causa exata da alta registrada após o primeiro turno, mas defendem que o fenômeno seja investigado pelas autoridades competentes.
Queimadas são consideradas ilegais
O levantamento reforça o entendimento do Ibama, do Ministério do Meio Ambiente e das forças policiais de que grande parte das queimadas é criminosa.
Para utilizar fogo no manejo agrícola é necessária autorização específica do órgão ambiental estadual. No entanto, desde 9 de setembro o Governo do Amazonas mantém proibido o uso do fogo em todo o estado devido à estiagem severa, o que torna irregulares os incêndios registrados no período.
Em operações recentes, o Ibama autuou 19 pessoas na região de Manaus, aplicando aproximadamente R$ 2 milhões em multas e embargando mais de 250 hectares de áreas afetadas.
Além das fiscalizações do Ibama, a Polícia Federal, a Polícia Civil do Amazonas e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) também investigam possíveis ações criminosas relacionadas ao aumento das queimadas.
Maioria do fogo ocorre em áreas já desmatadas
A análise do Inpe também mostra que os incêndios atingem principalmente áreas que já haviam sido desmatadas anteriormente. Dos focos registrados em outubro:
- 52,8% ocorreram em áreas desmatadas nos últimos três anos;
- 30,6% foram registrados em áreas abertas há mais tempo;
- 15,9% atingiram vegetação nativa.
Segundo especialistas, isso demonstra que o fogo é frequentemente utilizado para limpeza de áreas já desmatadas ou renovação de pastagens. Entretanto, devido à seca intensa provocada pelo fenômeno El Niño, as chamas acabam escapando do controle e alcançando áreas de floresta nativa.
A combinação entre estiagem prolongada e uso ilegal do fogo tem ampliado os impactos ambientais e aumentado os riscos à saúde da população, especialmente nas cidades cobertas pela fumaça das queimadas. 18horas.com.br










