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Mesmo com retorno das chuvas, seca grave atinge 53% do território do Acre, aponta ANA
Apesar do retorno das chuvas mais intensas ao Acre nas últimas semanas, o estado ainda apresenta um quadro preocupante de seca acumulada. Dados divulgados pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), em 19 de outubro, mostram que 53% do território acreano estava sob condições de seca grave em setembro de 2026, a maior intensidade registrada desde dezembro de 2024.
O levantamento, elaborado pelo Monitor de Secas, revela que a área atingida pela seca grave aumentou de 37% em agosto para 53% em setembro. A expansão foi de 16 pontos percentuais em apenas um mês, equivalente a um crescimento relativo de 43,2%.
Considerando a extensão territorial do Acre, de aproximadamente 164 mil quilômetros quadrados, a seca grave alcançava cerca de 86,9 mil quilômetros quadrados, área superior à metade do estado.
O monitoramento também identificou que 100% do território acreano apresentava algum grau de seca em setembro. O Acre registrou a condição mais severa entre os estados da Região Norte, segundo a avaliação da ANA.
A situação registrada em setembro contrasta com o retorno das precipitações em outubro, período de transição para a estação mais chuvosa na região. Entretanto, os indicadores divulgados pela agência ainda não incorporam os efeitos dessas chuvas recentes.
O Monitor de Secas considera não apenas as precipitações de um determinado dia ou semana, mas também o comportamento acumulado das chuvas, a umidade do solo e outros indicadores relacionados à disponibilidade hídrica.
Por isso, mesmo episódios de chuva intensa não significam necessariamente o encerramento imediato de uma seca prolongada. A recuperação das condições ambientais e dos recursos hídricos depende da distribuição, frequência e volume das precipitações ao longo do tempo.
No Acre, a alternância entre estiagens prolongadas e períodos de chuvas intensas representa um desafio para o abastecimento de água, a produção agropecuária, a navegação fluvial e as comunidades rurais e ribeirinhas.
Os dados da ANA mostram que, em setembro, a seca grave havia avançado sobre uma parcela expressiva do território estadual, mesmo antes da consolidação do período mais chuvoso.
A próxima atualização do Monitor de Secas permitirá avaliar se as precipitações registradas em outubro foram suficientes para reduzir a intensidade do fenômeno.
O levantamento divulgado em 19 de outubro apresenta o diagnóstico referente a setembro e não deve ser interpretado como uma medição das condições de seca existentes nesta sexta-feira, 23 de outubro.









