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GOSPEL

A corrente progressista à luz da Bíblia e os danos causados a curto, médio e longo prazo é o tema do pastor Welison Moura nesta terça, 9

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PARTE 3 — O COLAPSO DA HERANÇA: OS EFEITOS A LONGO PRAZO

Quando uma geração abandona seus marcos

Welison Silva Moura: Pastor auxiliar na Igreja Evangélica Assembleia de Deus, Ministério Rio Branco. Teólogo pela Escola de Teologia das Assembleias de Deus (EETAD), Coordenador do Núcleo 072 da referida escola. Bacharel em Administração pela Universidade de Brasília (UNB), Mestre em Administração Pública (UNB), pós-graduado-graduado em Auditoria Fiscal e Tributária (FGV), Técnico em Gestão de Orçamento Público (LDO E LOA). Coordenador Geral do Ministério de Educação Cristã (MEC) da Assembleia de Deus em Rio Braco.

Chegamos à terceira e última reflexão sobre a influência da corrente progressista à luz das Escrituras e os danos ocasionados a uma sociedade.

No primeiro artigo observamos os efeitos imediatos dessa cosmovisão, especialmente a relativização da verdade absoluta revelada por Deus. Vimos que o primeiro ataque não é contra instituições ou estruturas sociais, mas contra o próprio conceito de verdade.

No segundo artigo analisamos os efeitos de médio prazo. Uma vez que a verdade é relativizada, ocorre uma erosão gradual das bases que sustentam a sociedade: família, autoridade, responsabilidade moral e valores transmitidos ao longo das gerações.

Agora chegamos ao estágio mais grave do processo: os efeitos de longo prazo. Quando uma sociedade abandona seus referenciais transcendentais durante décadas, os danos deixam de ser apenas individuais e passam a atingir gerações inteiras.

O que está em jogo não é apenas uma disputa de ideias, mas a própria continuidade da herança moral e espiritual de um povo.

A Bíblia e o princípio das gerações

As Escrituras apresentam a transmissão da fé como uma responsabilidade intergeracional.

Moisés declarou:

“E as ensinarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te” (Deuteronômio 6:7).

O propósito divino nunca foi que cada geração começasse do zero. Deus estabeleceu uma corrente de transmissão espiritual entre pais e filhos.

O salmista reafirma:

“Uma geração louvará as tuas obras à outra geração” (Salmo 145:4).

Da mesma forma:

“Não os encobriremos aos seus filhos; contaremos à geração vindoura os louvores do Senhor” (Salmo 78:4).

Quando essa transmissão é interrompida, instala-se um vazio espiritual.

O exemplo trágico de Israel

Talvez o exemplo mais alarmante esteja registrado em Juízes.

Após a morte de Josué e da geração que testemunhou os feitos de Deus, a Escritura declara:

“Outra geração após eles se levantou, que não conhecia ao Senhor, nem tampouco a obra que fizera a Israel” (Juízes 2:10).

Observe que não se trata de ignorância intelectual, mas de desconexão espiritual.

Em poucas décadas, uma nação que havia atravessado o Jordão passou a adorar ídolos.

O resultado foi uma sequência de decadência moral, opressão, violência e afastamento de Deus.

Esse texto demonstra que o maior fracasso de uma geração não é econômico nem político. É deixar de transmitir às próximas gerações o conhecimento de Deus.

A perda dos marcos antigos

O progressismo contemporâneo frequentemente enxerga tradições, valores históricos e referências morais como obstáculos ao progresso.

Contudo, a Bíblia ensina cautela diante da remoção dos marcos estabelecidos.

Provérbios 22:28 adverte:

“Não removas os marcos antigos que puseram teus pais.”

A linguagem refere-se aos limites territoriais de Israel, mas o princípio é aplicável aos limites morais e espirituais.

Nem toda mudança representa progresso.

Nem toda inovação representa evolução.

Uma sociedade que destrói seus marcos sem discernimento frequentemente perde também sua identidade.

O profeta Jeremias advertiu:

“Perguntai pelas veredas antigas, qual é o bom caminho, e andai por ele” (Jeremias 6:16).

A modernidade pode oferecer novos instrumentos, mas não pode substituir princípios eternos.

O longo prazo produz normalização

O maior perigo das mudanças graduais é sua capacidade de se tornarem normais.

O que inicialmente causa espanto passa a ser tolerado.

O que é tolerado passa a ser aceito.

O que é aceito passa a ser celebrado.

E aquilo que antes era considerado errado passa a ser defendido como virtude.

Isaías advertiu:

“Ai dos que ao mal chamam bem, e ao bem, mal” (Isaías 5:20).

A inversão moral é uma das marcas mais evidentes do afastamento coletivo dos princípios divinos.

O apóstolo Paulo descreve fenômeno semelhante em Romanos 1:21-32, mostrando que sociedades que rejeitam o conhecimento de Deus caminham progressivamente para a confusão moral e espiritual.

O impacto sobre a família

A longo prazo, a primeira instituição a sofrer é a família.

Não por acaso, a família foi criada antes do Estado, da economia e de qualquer outra estrutura social.

Em Gênesis 2:24 encontramos o modelo divino para a organização familiar.

Quando esse modelo é enfraquecido, surgem consequências que transcendem uma geração.

O sociólogo e historiador Will Durant escreveu:

“A família é o núcleo da civilização; quando ela enfraquece, a civilização enfraquece com ela.”

De modo semelhante, o historiador Arnold Toynbee observou que as civilizações raramente são destruídas por forças externas; normalmente entram em colapso por processos internos de decadência moral.

Embora tais autores escrevam em contexto secular, suas conclusões ecoam princípios encontrados nas Escrituras.

A apostasia prevista para os últimos tempos

A Bíblia prevê que os últimos tempos seriam marcados por crescente afastamento dos padrões divinos.

Paulo escreveu:

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina” (2 Timóteo 4:3).

Também advertiu:

“Nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (2 Timóteo 3:1).

A descrição que segue inclui egoísmo, rebeldia, ingratidão, irreverência e desprezo pelos valores espirituais.

O texto não descreve apenas indivíduos, mas o espírito predominante de uma época.

Há esperança?

Apesar do cenário preocupante, a resposta bíblica nunca é o desespero.

Em todos os períodos de crise moral, Deus preservou um remanescente fiel.

Quando Elias acreditou estar sozinho, Deus revelou que havia sete mil que não haviam se dobrado diante de Baal (1 Reis 19:18).

A solução continua sendo a mesma:

  • Retorno à autoridade das Escrituras;
  • Fortalecimento da família;
  • Discipulado das novas gerações;
  • Defesa corajosa da verdade;
  • Proclamação do Evangelho.

A igreja não foi chamada para se conformar ao espírito do tempo, mas para ser sal da terra e luz do mundo (Mateus 5:13-16).

Conclusão

O maior dano causado por qualquer ideologia que afaste o homem de Deus não é percebido imediatamente.

Ele aparece décadas depois.

Surge quando filhos já não conhecem os valores que sustentaram seus pais.

Quando os marcos antigos são removidos.

Quando a verdade se torna relativa.

Quando o pecado passa a ser celebrado.

Quando a fé deixa de ser transmitida.

Por isso, o desafio da igreja não é apenas preservar a verdade para o presente, mas entregá-la intacta à próxima geração.

Mais do que vencer debates culturais, somos chamados a cumprir a ordem bíblica de transmitir fielmente a fé que uma vez foi entregue aos santos (Judas 1:3).

A história demonstra que sociedades prosperam quando preservam seus fundamentos morais. A Bíblia demonstra que povos florescem quando permanecem fiéis ao Senhor. E ambas nos alertam que nenhuma civilização consegue sobreviver indefinidamente quando rompe com seus alicerces espirituais.

Que nesses últimos dias, possamos refletir mais, e termos mais cuidados como a sutileza desse século, que tão sorrateiramente tem levado uma sociedade inteira a um abismo sem volta. Aquilo que parece inofensivo, pode causar danos irreparáveis.

“Apanhai-nos as raposas, as raposinhas, que estragam as vinhas, porque as nossas vinhas estão em flor.” (Cânticos 2:15)

 

Referências bibliográficas:

1. Bíblia Sagrada (Almeida Revista e Atualizada ou Almeida Corrigida Fiel).

2. DURANT, Will. As Lições da História. Record.

3. TOYNBEE, Arnold. Um Estudo da História. Martins Fontes.

4. SCHAEFFER, Francis. Como Viveremos? Cultura Cristã.

5. SCHAEFFER, Francis. A Morte da Razão. Cultura Cristã.

6. PEARCEY, Nancy. Verdade Absoluta. CPAD.

7. GEISLER, Norman. Ética Cristã. CPAD.

8. GRUDEM, Wayne. Política Segundo a Bíblia. Vida Nova.

9. MACARTHUR, John. A Guerra pela Verdade. Fiel.

10. SPROUL, R. C. A Santidade de Deus. Cultura Cristã.

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