POLÍTICA
Acre acertou o presidente seis vezes em nove eleições e revela um eleitorado longe de ser previsível

Existe um jeito curioso de olhar para a história eleitoral do Acre sem perguntar se o estado é de direita, de esquerda ou de centro. Basta fazer outra pergunta: quantas vezes o acreano escolheu o mesmo candidato que, depois da abertura das urnas do país inteiro, terminou eleito presidente?
A resposta é seis.
Entre 1989 e 2022, o Brasil realizou nove eleições presidenciais diretas. Em seis delas, o candidato mais votado no Acre na etapa decisiva da disputa foi também o vencedor nacional. Isso coloca o estado com índice de coincidência de 67%, segundo levantamento elaborado pelo Brasil em Mapas a partir da série histórica do Tribunal Superior Eleitoral.
É uma espécie de termômetro eleitoral com personalidade própria. O Acre não chega ao comportamento de Amazonas e Minas Gerais, que coincidiram com o vencedor nacional nas nove eleições analisadas, mas também está muito distante do Rio Grande do Sul, onde isso aconteceu somente duas vezes.

No mapa nacional, os 67% acreanos formam uma pequena vizinhança eleitoral. Goiás, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Rondônia apresentam a mesma frequência. Logo acima aparecem estados com 78% de coincidência, enquanto boa parte do Norte e do Nordeste chega a 89%.
E aí surge uma curiosidade regional. Embora o Norte tenha acertado, em média, o vencedor nacional em 80% das eleições analisadas, o Acre fica 13 pontos percentuais abaixo desse índice. Amazonas aparece com 100%; Pará, Amapá e Tocantins, com 89%; Acre e Rondônia, com 67%; e Roraima, com 56%.
Isso não significa que esses estados sejam eleitoralmente mais ou menos importantes, nem permite antecipar como votarão em uma eleição futura. O indicador olha exclusivamente para trás: compara quem venceu em cada unidade da Federação com quem acabou conquistando a Presidência.
Também é preciso entender uma particularidade da conta. Nas eleições decididas em segundo turno, é essa votação que entra na comparação. Em 1994 e 1998, quando Fernando Henrique Cardoso venceu no primeiro turno, vale o resultado dessa etapa. A série começa em 1989, primeira eleição presidencial direta após a redemocratização, e termina em 2022.
O desenho regional talvez seja a parte mais interessante do mapa. O Nordeste registra 85% de coincidência com o vencedor nacional, seguido pelo Norte, com 80%. Depois aparecem Sudeste, com 73%; Centro-Oeste, com 59%; e Sul, com 45%.
No caso acreano, seis coincidências e três divergências em nove eleições produzem um retrato menos óbvio do que os rótulos políticos costumam sugerir.
Em pouco mais de três décadas de eleições presidenciais diretas, o Acre esteve com o vencedor nacional em dois de cada três pleitos.
Nas outras três vezes, preferiu seguir por outro caminho.












