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Acre paga até 57% mais caro pelos combustíveis; entenda por que abastecer pesa tanto no bolso

Gasolina custa 29% acima da média nacional, etanol chega a ser 57% mais caro e o impacto vai muito além dos postos, encarecendo o transporte, os alimentos, o gás de cozinha e o custo de vida no estado.
Abastecer um carro no Acre é uma das despesas que mais pesam no orçamento das famílias. Os preços dos combustíveis no estado estão entre os mais altos do Brasil e superam com folga a média nacional, reflexo de uma combinação de fatores que vão da localização geográfica à dependência do transporte rodoviário.
Os números ajudam a dimensionar o problema. Um tanque de 50 litros de gasolina comum custa, em média, R$ 423 no Acre. No restante do país, o mesmo abastecimento sai por R$ 329. A diferença é de R$ 94 por tanque, ou 28,6% a mais. Comparado ao Rio Grande do Sul, estado com o menor preço médio do país, o acreano desembolsa R$ 111,50 extras, um aumento de 35,8%.
No etanol, a diferença é ainda mais expressiva. Encher um tanque de 50 litros custa R$ 319,50 no Acre, contra R$ 203 na média brasileira. O consumidor acreano paga R$ 116,50 a mais, uma diferença de 57,4%. Em relação ao Mato Grosso, onde o combustível é vendido por cerca de R$ 187,50, o acréscimo chega a R$ 132, equivalente a 70,4%.
Mas por que o combustível é tão caro no Acre?
A resposta começa no mapa. O estado está localizado no extremo oeste do país, distante das refinarias e dos principais polos de distribuição de combustíveis. Toda essa distância precisa ser vencida por caminhões-tanque, que percorrem milhares de quilômetros até chegar aos postos acreanos.
Grande parte do abastecimento chega primeiro às bases de distribuição instaladas em Porto Velho (RO). A partir dali, o combustível percorre cerca de 540 quilômetros pela BR-364 até Rio Branco. Para alcançar municípios do interior, como Cruzeiro do Sul, a viagem praticamente dobra de extensão.
Cada quilômetro percorrido representa mais gasto com diesel, manutenção da frota, pneus, seguros, pedágios e mão de obra. Todo esse custo é incorporado ao preço final pago pelo consumidor.
A dependência quase exclusiva da BR-364 torna o problema ainda maior. Durante o período chuvoso, interdições, buracos e obras aumentam o tempo das viagens e elevam os custos do transporte.
Outro fator importante é o tamanho do mercado. Enquanto estados como São Paulo comercializam milhões de litros de combustíveis diariamente, o Acre possui uma demanda relativamente pequena. Isso reduz os ganhos de escala das distribuidoras e faz com que custos fixos de armazenagem, logística e operação sejam diluídos em um volume menor de vendas, tornando cada litro mais caro.
A estrutura de distribuição também influencia os preços. O número reduzido de bases de abastecimento e de alternativas logísticas limita a concorrência e diminui a capacidade de redução dos custos ao longo da cadeia.
A gasolina ilustra bem essa realidade. O preço médio no Acre é de R$ 8,46 por litro, o maior da Região Norte. Em Rondônia, de onde parte boa parte da distribuição, o litro custa R$ 7,40. No Amazonas, R$ 7,22, e em Roraima, R$ 7,57.
Na prática, o consumidor acreano paga R$ 1,06 por litro a mais do que em Rondônia, apenas pelo custo adicional do transporte e da distribuição.
O diesel segue a mesma lógica. Enquanto a média nacional gira em torno de R$ 6,94 por litro, no Acre os preços variam entre R$ 7,20 e R$ 7,40.
Como praticamente toda a mercadoria consumida no estado chega por caminhão, o diesel mais caro acaba sendo incorporado ao preço dos alimentos, medicamentos, materiais de construção, eletrodomésticos e demais produtos vendidos no comércio.
Nem o gás de cozinha escapa dessa realidade. O botijão de 13 quilos custa, em média, R$ 114,48 no Brasil. Em São Paulo, pode ser encontrado por cerca de R$ 79. No Acre, os preços variam entre R$ 130 e R$ 145, podendo ser ainda maiores em municípios do Vale do Juruá, onde a logística combina transporte rodoviário e fluvial.
O impacto no orçamento das famílias é imediato.
Um motorista que percorre aproximadamente mil quilômetros por mês e consome 100 litros de gasolina gastava cerca de R$ 730 quando o litro era vendido a R$ 7,30. Com o preço médio chegando a R$ 8,46, a despesa mensal passou para R$ 846.
São R$ 116 a mais todos os meses apenas para manter a rotina de deslocamentos. Em um ano, o aumento representa R$ 1.392, valor suficiente para custear diversas outras despesas domésticas.
Especialistas apontam que não existe uma solução simples para reduzir os preços. A construção de novas alternativas logísticas, a ampliação da concorrência entre distribuidoras e investimentos em infraestrutura rodoviária poderiam aliviar parte dos custos, mas exigem investimentos elevados e políticas de longo prazo.
Enquanto isso não acontece, o Acre continuará pagando um dos preços mais altos do país para abastecer. E essa conta não fica apenas nas bombas dos postos: ela se espalha por toda a economia, encarece o frete, pressiona a inflação e reduz o poder de compra das famílias acreanas.











