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SAÚDE

Alerta médico: nova injeção retatrutida gera perda recorde de peso, mas mercado ilegal preocupa autoridades

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Pesquisa foi publicada na revista ‘Lancet’ e mostra que substância pode gerar perda de peso semelhante à bariátrica, abrindo uma nova fronteira no tratamento. Medicamento ainda depende de finalização de estudos e processo regulatório, mas já vem sendo anunciado no mercado ilegal.

 

Por Redação g1

 

Uma pesquisa publicada na Lancet, uma das revistas científicas mais importantes do mundo, mostra que a retatrutida pode reduzir em até 28% o peso de pacientes com diabetes tipo 2. A perda de peso com a substância é próxima à de uma cirurgia bariátrica e pode mudar o cenário no tratamento da obesidade.

A pesquisa reforça os dados que a Eli Lilly, empresa que desenvolve a substância, já vinha divulgando. Além do emagrecimento, o estudo revelou que a substância pode ser eficaz no controle de outras duas condições: a apneia obstrutiva do sono e a dor causada pela osteoartrite no joelho.

A retatrutida pertence à mesma família das chamadas “canetas emagrecedoras” — como o Ozempic (semaglutida) e o Mounjaro (tirzepatida) —, mas atua em três hormônios diferentes ao mesmo tempo, em vez de apenas um ou dois. Por isso, é classificada como uma molécula de “tripla ação”. Um de seus grandes diferenciais é o estímulo ao glucagon, componente capaz de elevar o gasto calórico do paciente.

O estudo completo foi apresentado no congresso da Associação Americana de Diabetes (ADA), um dos maiores eventos científicos mundiais sobre a doença, realizado nos Estados Unidos. Durante a apresentação, um alerta urgente chamou a atenção da plateia: mesmo sem qualquer aprovação sanitária global, falsificações e supostas versões da retatrutida já circulam no mercado ilegal.

No Paraguai, em março deste ano, antes mesmo da divulgação oficial do estudo pela Lilly, uma empresa local anunciou em um evento voltado para influenciadores brasileiros a fabricação de canetas baseadas na substância. A Receita Federal do Brasil informou que mantém fiscalização rígida e vem realizando apreensões frequentes de contrabandistas tentando cruzar a fronteira com o produto sem registro.

Como funciona a retatrutida e o que a pesquisa encontrou?

Assim como outros medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, a retatrutida mimetiza os hormônios que o intestino libera naturalmente logo após uma refeição. Essas substâncias atuam sinalizando ao cérebro que o corpo está saciado, além de ajudarem o pâncreas a regular os níveis de insulina.

O diferencial revolucionário da retatrutida está no seu terceiro mecanismo: ao ativar o receptor de glucagon, o medicamento passa a estimular o organismo a queimar mais energia, aumentando o gasto calórico mesmo quando o paciente encontra-se em completo repouso.

No ensaio clínico, 930 adultos diagnosticados com diabetes tipo 2 receberam doses semanais do medicamento ou de placebo por um período de até 80 semanas. Os voluntários submetidos à dosagem mais alta da retatrutida perderam, em média, 28,3% de seu peso corporal — um resultado mais de quatro vezes superior ao registrado no grupo que recebeu placebo.

Com esse desempenho expressivo, o fármaco atinge o patamar de redução de peso comumente alcançado por intervenções cirúrgicas, como a bariátrica, abrindo uma nova era na medicina metabólica. Mais de 65% dos participantes deixaram de se enquadrar nos critérios diagnósticos de obesidade pelo Índice de Massa Corporal (IMC). Adicionalmente, a redução nas taxas de açúcar no sangue dobrou em comparação ao grupo controle.

Benefícios contra Apneia do Sono e Osteoartrite

Os dados publicados trouxeram respostas promissoras sobre comorbidades graves associadas ao excesso de peso, o que deve embasar futuros pedidos regulatórios para expandir as indicações de uso:

  • Apneia do sono: Em indivíduos com obesidade, a retatrutida reduziu em até 60,6% a gravidade da apneia obstrutiva do sono — distúrbio em que a respiração é interrompida repetidamente à noite, elevando os riscos de infarto e AVC. (Atualmente, apenas o Mounjaro possui aprovação da Anvisa no Brasil para tratamento associado à apneia).

  • Osteoartrite de joelho: O tratamento diminuiu em até 73,1% os relatos de dor crônica causados pelo desgaste das articulações do joelho, condição degenerativa agravada pela sobrecarga mecânica do peso e que limita a mobilidade de milhões de pessoas.

Quando o produto deve chegar oficialmente ao mercado?

Apesar do entusiasmo da comunidade médica, ainda são necessárias rodadas adicionais de análise de segurança e a posterior revisão formal das agências regulatórias (como a FDA americana e a Anvisa brasileira) antes que o medicamento possa ser comercializado nas farmácias.

Qualquer produto atualmente anunciado ou vendido sob o nome de retatrutida é considerado clandestino, ilegal e representa um grave risco à saúde pública, já que não há garantias sobre sua procedência, esterilidade ou real composição química.

No Paraguai, apontado como a principal rota de origem do comércio paralelo de emagrecedores para o mercado brasileiro, as autoridades monitoram a distribuição ilegal. Fiscais da Anvisa e policiais da Receita Federal intensificaram as operações em Foz do Iguaçu (PR) para conter o avanço do contrabando.

Nos três primeiros meses de 2026, o valor financeiro das apreensões de canetas emagrecedoras ilegais na fronteira ultrapassou a marca de R$ 11 milhões — superando o montante acumulado em todo o ano de 2025. As autoridades sanitárias reforçam o pedido para que pacientes não comprem substâncias sem registro de fornecedores desconhecidos.

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