RAIMUNDO FERREIRA
Com previsão de o rio Acre superar sua menor lâmina d’água da história, professor Raimundo Ferreira apela

SALVE O RIO ACRE!
O tempo vai passando, as estações vão se sucedendo e as paisagens vão mudando, apresentando características e fenômenos desagradáveis da natureza. Muitos desses fenômenos ocorrem diretamente em consequência da interferência e das ações do homem sobre o meio ambiente.
Cada região, certamente, apresenta sintomas e efeitos diferenciados, dependendo das atividades econômicas, sociais e culturais nela desenvolvidas. A verdade é que esses efeitos podem ser observados como resultado da ocupação desordenada, dos desmatamentos indevidos, da falta de saneamento básico e, não podemos deixar de mencionar, da falta de educação e conscientização da sociedade, que contribui para a manutenção dessa cultura de pouco caso e descuido com a preservação ambiental.
No caso da Região Norte, berço de nossas origens, especialmente no Estado do Acre, em um passado não muito distante, esse território era um verdadeiro oásis de floresta tropical. Atualmente, porém, vem experimentando os problemas decorrentes da mudança de uma economia predominantemente extrativista para a atividade agropecuária, avançando também para novas atividades econômicas, como a produção de soja e café.
Em meio a tantas mudanças e transformações, a floresta foi devastada, a paisagem se modificou e a ocupação desordenada continua acontecendo, tanto no campo quanto nas cidades. A isso se soma a falta da devida estrutura em diversos setores da sociedade, especialmente no que diz respeito ao saneamento básico.
Como não poderia ser diferente, os efeitos dessas transformações estão aparecendo e se intensificando a cada ano, especialmente durante o período considerado de verão — a chamada estação seca, quando as chuvas praticamente desaparecem.
É nesse período que podemos observar, com tristeza e indignação, a situação do maior manancial da região: o Rio Acre. Um rio que já foi caudaloso, majestoso e cheio de vida e que, atualmente, nesta época do ano, em muitos trechos, não passa de um pequeno curso d’água, com água suja e de odor desagradável, em uma condição que chega a lembrar um esgoto a céu aberto.
O Rio Acre pede socorro. Sua situação é um reflexo das transformações e dos impactos provocados pela ação humana sobre a natureza.
Ainda é tempo de mudar. É preciso preservar nossas florestas, recuperar nossos rios, ampliar o saneamento básico e, acima de tudo, despertar na sociedade a consciência de que preservar o meio ambiente não é uma escolha, mas uma responsabilidade de todos.
Salve o Rio Acre!
Salve a floresta!
Salve o nosso meio ambiente!











