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Produtividade do café acreano supera média nacional e revela potencial de expansão

Embora responda por apenas 0,09% da produção brasileira de café, o Acre apresenta indicadores que chamam atenção pela eficiência produtiva. Dados do IBGE compilados pelo Agro Contexto mostram que o estado colheu 3.079 toneladas na safra 2024/2025, gerando R$ 44,9 milhões em valor de produção a partir de apenas 1.115 hectares cultivados.
O principal destaque está na produtividade. O Acre alcançou média de 2.761 quilos por hectare, resultado cerca de 59% superior à média nacional, estimada em aproximadamente 1.740 kg/ha. O desempenho também supera o de Minas Gerais, maior produtor do país, cuja produtividade média ficou em 1.534 kg/ha.
Na prática, isso significa que o produtor acreano extrai mais café por área plantada do que a maioria dos estados brasileiros. O resultado demonstra que o desafio local não está na capacidade produtiva das lavouras, mas na reduzida área destinada à cultura.
Outro indicador favorável é o rendimento econômico. Cada hectare cultivado no Acre gerou, em média, R$ 40,3 mil. O valor supera em cerca de 26% o registrado em Minas Gerais, onde o rendimento médio ficou em R$ 31,9 mil por hectare.
A principal cidade produtora é Acrelândia, município que vem consolidando sua presença na cafeicultura acreana. O desempenho local acompanha uma tendência observada em parte da Amazônia, especialmente em sistemas de produção mais tecnificados e adaptados às condições climáticas da região.
O chamado share da produção nacional — indicador que mede a participação de cada estado no total produzido pelo país — ainda é pequeno. O Acre responde por 0,09% do café brasileiro. No entanto, esse percentual precisa ser analisado à luz da escala produtiva. Enquanto Minas Gerais possui mais de 1,1 milhão de hectares colhidos, o Acre trabalha com pouco mais de mil hectares.
A comparação revela uma oportunidade. Mantendo a atual produtividade, qualquer ampliação da área plantada poderá produzir impactos significativos no volume estadual. Em outras palavras, o Acre já demonstra capacidade de produzir bem; o próximo desafio é produzir mais.
O contraste com Rondônia, maior produtor da Região Norte e quinto do Brasil, ajuda a dimensionar esse potencial. Os rondonienses colhem cerca de 170 mil toneladas anuais, mas também contam com uma área cultivada dezenas de vezes superior à acreana. Ainda assim, a produtividade do Acre já se aproxima dos padrões observados nos polos mais eficientes do país.
Num cenário em que o Brasil mantém a liderança mundial do setor, com 3,78 milhões de toneladas produzidas e 35% de toda a produção global, os números acreanos mostram que a cafeicultura local ainda é pequena em escala, mas competitiva em desempenho. Os indicadores de produtividade e renda por hectare sugerem que existe espaço para crescimento sem que o estado precise partir do zero.
Fontes: Pesquisa Agrícola Municipal (PAM/IBGE 2025), Agro Contexto (2024), USDA (2025), FAO (2025) e Embrapa (2024).












