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ESPORTE

Saias escocesas

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No dia em que a Fifa fez o sorteio dos grupos da próxima Copa do Mundo, dois escoceses, Campbell e Stewart, bebiam umas e outras num bar localizado na periferia de Edimburgo, a capital lá deles. Bebiam e torciam para que a sua seleção não pegasse, logo de cara, nenhum time muito forte.

Entre os times muito fortes, aqueles bem difíceis de superar, os dois sujeitos incluíam a Argentina, a Espanha, a França e o Brasil. Qualquer um desses, todos campeões mundiais alguma vez na vida, sempre são capazes de estragar a vida alheia, ainda que possam não estar bem das pernas.

A Argentina, por razões mais do que óbvias. É que Los Hermanos, posicionados hoje em terceiro lugar no ranking de seleções da Fifa, são os atuais campeões mundiais. E ainda, pra aumentar de modo exponencial o problema, o time conta no seu elenco com um cara de nome Lionel Messi.

Já a Espanha, que hoje está na posição de número dois no ranking mundial de seleções, trata-se de um daqueles ossos que cachorro passa horas roendo e nem arranha a estrutura. Os espanhóis melhoraram demais o futebol deles depois que deixaram de lado aquele esporte maluco de matar touros.

Enquanto isso, a França, primeiríssima no ranking da Fifa, campeã mundial duas vezes, ninguém em sã consciência deseja pegar essa seleção assim logo de cara. Melhor, caso fosse possível escolher, deixar para pegar os descendentes de Bonaparte numa fase mais adiantada da competição.

E no caso do Brasil, o trauma dos dois amigos escoceses se concentrava no retrospecto. É que o Brasil e a Escócia já se enfrentaram quatro vezes em Mundiais. Os escoceses jamais venceram. Os registros indicam um empate (1974) e três vitórias brasileiras (1982, 1990 e 1998).

Aí, enquanto generosas doses de uísque produzido nas terras altas da Escócia desciam pelas gargantas dos amigos Campbell e Stewart, o sorteio dos grupos da Copa chegou ao seu final e daquelas seleções do medo original deles lhes foi destinado enfrentar o Brasil. “To hell with you”, disse um deles.

O Brasil, na opinião dos dois escoceses, é o único problema da seleção deles na fase de grupos. O Haiti, primeiro adversário, disse Campbell, “é galinha morta”. O segundo jogo, o do Marrocos, “esse a gente pode golear por um a zero”, afirmou Stewart. “O nó real é o Brasil”, falaram ambos.

Mais algumas doses de uísque depois, tomando a quinta saideira, um dos amigos olhou para o outro e mandou uma sentença. “Quer saber de uma coisa, amigo? Eu aposto que a gente vai ganhar até do Brasil. Se a nossa seleção perder, eu visto uma saia.” Ao que o outro respondeu: “Eu também.”

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