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SOS Amazônia plantou 638 mil mudas e colocou 566 hectares em regeneração em 2025

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A SOS Amazônia encerrou 2025 com 638.599 mudas plantadas, 566 hectares em processo de regeneração e 67 nascentes em recuperação, segundo o relatório anual de atividades da organização criada em Rio Branco. As ações envolveram sistemas agroflorestais, restauração de áreas degradadas, produção comunitária de mudas, coleta de sementes e assistência técnica a famílias rurais e extrativistas.
O balanço mostra uma atuação que combina recuperação ambiental e geração de renda. Ao longo do ano, foram realizadas 6.209 visitas de Assistência Técnica, Extensão Rural e Florestal às famílias envolvidas, com orientações sobre sistemas agroflorestais, manutenção das áreas recuperadas, regeneração natural assistida e acesso a mercados institucionais.
A organização contabilizou 5.213 pessoas alcançadas por suas iniciativas em 2025. Desse total, 2.044 eram mulheres, o equivalente a 39,2%, e 1.181 eram jovens, ou 22,7%. O relatório também registra atuação em 12 áreas protegidas, sendo dez Unidades de Conservação e duas Terras Indígenas, envolvendo um território superior a 8,6 milhões de hectares.
Uma parcela expressiva dos resultados veio do programa de Restauração da Paisagem Florestal. Somente nas ações detalhadas dessa frente, 3.928 pessoas foram beneficiadas durante o ano, das quais 1.448 mulheres, 882 jovens e 279 indígenas. Foram instalados oito viveiros comunitários na Reserva Extrativista Chico Mendes, com capacidade para produzir 90 mil mudas, além da manutenção de seis viveiros na Reserva Extrativista Alto Juruá, capazes de produzir conjuntamente 120 mil mudas por ano.
O trabalho alcançou diferentes regiões do Acre. Na Resex Chico Mendes, um dos projetos previu a implantação de sistemas agroflorestais em 120 hectares, com 150 mil mudas e participação de 120 famílias de Assis Brasil, Brasiléia, Epitaciolândia, Xapuri e Sena Madureira. Na Resex Alto Juruá, em Marechal Thaumaturgo, outro projeto abrangeu 140 hectares, 170 mil mudas e 120 famílias.
Em Capixaba, a meta é recuperar 120 hectares por meio de sistemas agroflorestais, regeneração natural assistida e semeadura direta, envolvendo 90 famílias e o plantio de 200 mil mudas. Já uma nova etapa no Alto Juruá prevê regenerar 250 hectares, dos quais 70 hectares com sistemas agroflorestais e 180 hectares por regeneração natural assistida, com 200 mil mudas e 180 famílias.
Outro projeto do Faça Florescer Floresta abrangeu 320 hectares nos municípios de Mâncio Lima, Cruzeiro do Sul, Porto Walter, Capixaba e Xapuri. A iniciativa estabeleceu a produção e o plantio de 500 mil mudas em parceria com 400 famílias de comunidades ribeirinhas, assentamentos, polos agroflorestais e terras indígenas. Ao final de 2025, essa etapa estava com 70% de execução.
A restauração chegou também a famílias indígenas Nukini e Puyanawa. Segundo o relatório, 64 famílias de quatro aldeias — Vaka Visu, Insa República, Ipiranga e Barão — foram incorporadas às atividades. A organização também passou a utilizar com maior intensidade a regeneração natural assistida, técnica que reduz a necessidade de plantio integral ao favorecer a recuperação da vegetação existente.
Uma das experiências associa diretamente a recuperação da floresta à renda de mulheres. Em 2025, a SOS Amazônia comprou 5.311 quilos de sementes florestais e frutíferas coletadas em comunidades. As compras movimentaram R$ 82.815,38 e beneficiaram diretamente 23 mulheres da Comunidade Rio Branco, Comunidade Divisão, na Resex Chico Mendes, e das Florestas Nacionais Macauã e São Francisco.
Considerando o valor total e o volume comercializado, as sementes movimentaram, em média, cerca de R$ 15,59 por quilo. O valor varia conforme espécie, qualidade e condições de comercialização, mas ajuda a dimensionar uma atividade que o relatório apresenta como alternativa de renda ligada diretamente à recuperação florestal.
A atuação ambiental não ficou restrita às árvores. O relatório registra a devolução de 3.076 filhotes de quelônios à natureza ao final de 2025, resultado do monitoramento comunitário de áreas de reprodução na região do Juruá. Na Reserva Extrativista Riozinho da Liberdade, o projeto registrou ainda o reaparecimento da tartaruga-da-amazônia depois de mais de 40 anos sem registros da espécie naquele território.
A SOS Amazônia nasceu em Rio Branco em 30 de setembro de 1988, em um período de forte avanço do desmatamento e de mobilização dos seringueiros contra a transformação da floresta em pastagens. A criação reuniu professores, universitários e integrantes dos movimentos sociais, entre eles Chico Mendes. Desde então, a entidade mantém como missão a conservação da biodiversidade amazônica e o apoio às populações tradicionais.

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