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Super El Niño ameaça a Amazônia Ocidental: Acre projeta crescimento de 4% do PIB e liderou empregos com alta de 0,77% em maio, mas seca e Selic em 14% ligam alerta no estado

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A economia do Acre vive um momento de recuperação com sinais consistentes de tração no mercado de trabalho e no setor de serviços, mas o horizonte para o encerramento de 2026 e o início de 2027 traz um elemento imprevisível e de alto impacto: o clima. De acordo com a mais recente Resenha de Economia Regional divulgada pela equipe de estudos econômicos do Banco do Brasil (BB Asset), a probabilidade de ocorrência de um Super El Niño ultrapassa 70% entre setembro de 2026 e janeiro de 2027. A última vez em que o planeta registrou uma anomalia climática dessa intensidade foi no ciclo 2015/2016, período em que o PIB Agropecuário do Brasil encolheu 5,2% e a Amazônia Ocidental enfrentou episódios severos de estiagem, isolamento logístico e queimadas.
Antes do eventual choque climático, os dados compilados pelo Banco do Brasil mostram que o Acre mantém um ritmo de atividade econômica robusto dentro da Região Norte. O PIB acriano projeta expansão próxima de 4% em 2026, alinhado ao desempenho de Rondônia e superando estados como Amazonas e Pará. A Região Norte como um todo lidera o crescimento do país, com alta estimada de 3,1% no PIB regional em 2026, ancorada pela Indústria (3,4%) e Serviços (3,1%). O Norte representa 5,8% do PIB nacional, possui população de 18,8 milhões de habitantes distribuídos em 450 municípios e apresenta PIB per capita de R$ 36.678.
No mercado de trabalho, em maio, o Acre liderou o crescimento do emprego formal em todo o Norte do país, com alta de 0,77% no estoque de trabalhadores pelo Caged e saldo líquido mensal positivo de 851 postos de trabalho. Na Região Norte, o estoque avançou 0,21% no mês, com saldo positivo de 5,1 mil vagas formais, sendo 2,5 mil no setor de serviços, enquanto a agropecuária fechou 829 postos. Em abril, o setor de serviços no Acre registrou alta de 3,5% na variação mensal — o terceiro maior avanço do país —, tentando reverter a retração acumulada no ano, que ainda é de -7,2%, o pior resultado regional no acumulado de 2026 ao lado de Tocantins (-4,6%) e Amazonas (-4,4%). Já o comércio acriano registrou recuo de 2,7% em abril, mas sustenta saldo positivo de 1,6% no acumulado do ano.
A confirmação do Super El Niño altera a distribuição espacial do risco climático no país, concentrando secas severas no interior do Nordeste e na Amazônia Ocidental. Para a economia acreana, o relatório aponta três frentes de pressão direta. A primeira é o estresse hídrico e o risco de incêndios: diferente das regiões Sudeste e Nordeste, onde os reservatórios d’água iniciam o período em patamares confortáveis em comparação a 2015, a Região Norte opera com reservatórios próximos da média histórica de 5 anos. A redução das chuvas no segundo semestre tende a acelerar o rebaixamento dos rios acrianos, aumentando o risco de escassez hídrica e queimadas nas áreas rurais. A segunda frente envolve os gargalos logísticos e o isolamento fluvial, já que o estudo do Banco do Brasil alerta expressivamente para o risco de comprometimento do transporte por hidrovias na Região Norte. A vazante extrema dos rios prejudica a navegabilidade, afetando o escoamento do agronegócio e a entrega de suprimentos básicos, como combustíveis e alimentos. O fenômeno também atinge o Arco Norte, responsável por escoar 38,5% da soja e 33,5% do milho do país nos primeiros cinco meses de 2026.
A terceira frente trata do encarecimento da safra e da compressão de margens. No âmbito macroeconômico, o Banco do Brasil revisou suas projeções nacionais: a taxa Selic deve encerrar 2026 em 14,00% (ante 13,50% da projeção anterior), o IPCA em 5,3% (ante 5,0%) e o câmbio em R$ 5,25 por dólar (ante R$ 5,00). Apesar disso, a projeção do PIB brasileiro de 2026 subiu de 2,0% para 2,1%, e o PIB agropecuário de 2026 foi revisado de 1,0% para 1,5%. Para 2027, porém, a estimativa do PIB Agropecuário nacional é de retração de -0,5%, com viés de baixa em caso de confirmação do Super El Niño. A combinação de juros elevados, câmbio depreciado e volatilidade nos preços globais de petróleo e fertilizantes pressiona diretamente o custo de produção do agronegócio acriano e encarece o frete do que chega ao estado.
Embora o relatório indique que o somatório dos impactos em nível nacional tende a ser mais brando do que o registrado em 2015/2016 — dada a situação mais favorável dos reservatórios hídricos do Centro-Sul e Nordeste —, a vulnerabilidade geográfica do Acre exige atenção antecipada das autoridades governamentais e do setor produtivo. O monitoramento de bacias hidrográficas, o planejamento de estoques de insumos e o reforço em políticas de proteção ao produtor rural serão decisivos para atenuar os efeitos da estiagem projetada para os próximos meses.

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