SAÚDE
Avião chegou no horário, mas paciente morreu três minutos depois do pouso em Feijó; oposição tentou lacrar pra atingir Mailza

A aeronave estava lá. Pousou em Feijó às 18h20 da última segunda-feira, 21, para buscar o servidor público municipal Anderson da Costa Montefusco, de 32 anos. Três minutos depois, às 18h23, veio a notícia que mudaria completamente a missão: o paciente havia morrido.
Registros de comunicação entre profissionais envolvidos na operação mostram uma sequência diferente da versão divulgada pelo prefeito de Feijó, Railson Silva, que afirmou em vídeo publicado nas redes sociais que “a aeronave não veio”.
O avião da Ortiz Táxi Aéreo havia partido de Cruzeiro do Sul e foi deslocado para Feijó depois de acionamento para realizar a transferência aeromédica solicitada pelo Hospital Regional do município. A aeronave pousou às 18h20, conforme a comunicação mantida entre a empresa e profissionais de saúde.
Às 18h23, o médico Miguel Washing, do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), que acompanhava o caso, informou que Anderson havia evoluído para óbito.
Cinco minutos depois, às 18h28, Marcelo Ortiz, um dos sócios da empresa, voltou a entrar em contato com a equipe: “Aeronave está em solo, se tiver algum outro paciente para retornar, favor avisar”.
A sequência dos horários é importante. O avião chegou a Feijó para realizar o transporte solicitado, mas Anderson morreu apenas três minutos depois do pouso e antes que pudesse ser embarcado.
O caso ganhou repercussão depois que o prefeito gravou um vídeo em frente ao hospital questionando o atendimento e atribuindo o desfecho a uma suposta falha na regulação aeromédica. A afirmação de que o avião não havia chegado, porém, é contrariada pelos registros apresentados à reportagem.
A versão também foi reproduzida nas redes sociais por Pâmela Moraes, esposa do secretário municipal de Educação de Feijó, que afirmou que “o avião não chegou pra pegar ele”.
O que ocorreu antes do pouso ajuda a compreender a operação.
Anderson havia dado entrada na unidade de saúde na noite de domingo, 20. Após a confirmação de infarto agudo, foi submetido à trombólise, procedimento utilizado para tentar restabelecer o fluxo sanguíneo. A equipe decidiu posteriormente pela transferência para uma unidade de referência e solicitou transporte aeromédico.
Segundo as informações do Samu apresentadas à reportagem, a definição da sequência dos voos considerou a gravidade dos pacientes que necessitavam de remoção naquele momento.
A equipe aeromédica estava envolvida no transporte de duas crianças em estado crítico, procedentes de Santa Rosa do Purus. O médico Miguel Washing relata que ambas estavam intubadas e precisavam ser removidas. Depois dessa missão, a aeronave seguiu para Feijó.
Anderson permaneceu sob atendimento enquanto era preparado para suportar a viagem. De acordo com o relato apresentado, antes da internação que resultaria no pedido de transferência, ele havia recebido atendimento médico, sido liberado e passado mal posteriormente, quando já estava em via pública e subia em sua motocicleta.
A aeronave da Ortiz, empresa conveniada com o Estado para operações aeromédicas, chegou a Feijó no horário programado para a remoção. O desfecho, porém, ocorreu praticamente ao mesmo tempo: pouso às 18h20 e comunicação do óbito às 18h23.
A morte de um servidor de apenas 32 anos deixa questões que precisam ser esclarecidas a partir dos registros médicos, dos procedimentos adotados desde o primeiro atendimento e da cronologia completa da regulação.
Mas uma questão específica já pode ser confrontada com os registros apresentados: o avião destinado à transferência chegou a Feijó. Quando pousou, a corrida contra o tempo já estava nos minutos finais. Três minutos depois, Anderson morreu.













