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Ufac fortalece pesquisa inédita no Norte e entrega equipamentos para laboratório que vai monitorar atividade sísmica no Acre

A Universidade Federal do Acre (Ufac) deu um passo importante para consolidar o Acre como referência em estudos geofísicos na Amazônia ao entregar novos equipamentos para o Laboratório de Sismologia da Estação de Geofísica Aplicada do Acre. A cerimônia ocorreu na sexta-feira, 29, no auditório do bloco do curso de Física, no campus-sede, em Rio Branco.
Os equipamentos foram adquiridos com recursos provenientes de uma emenda parlamentar de R$ 750 mil destinada pela deputada federal Socorro Neri (PP-AC). O valor integra um investimento total de R$ 900 mil aplicado no projeto de pesquisa desenvolvido pela universidade.
O aporte financeiro permitiu a modernização da infraestrutura tecnológica do laboratório, incluindo a aquisição de um sistema de videoconferência e monitoramento composto por televisores, câmeras e nobreaks, além de workstations equipadas com unidades de processamento gráfico (GPU) e servidores dedicados de alto desempenho instalados no Núcleo de Tecnologia da Informação (NTI) da Ufac.
A nova estrutura dará suporte ao funcionamento de uma rede de seis estações sismográficas de banda larga com telemetria, que operarão ininterruptamente, 24 horas por dia, sete dias por semana. Os equipamentos serão distribuídos estrategicamente nos municípios de Rio Branco, Sena Madureira, Tarauacá, Assis Brasil, Marechal Thaumaturgo e Santa Rosa do Purus.
Com isso, o Acre passará a contar com uma das mais avançadas estruturas de monitoramento sísmico da Amazônia. A iniciativa permitirá a coleta contínua de dados sobre a atividade tectônica regional, contribuindo para o fortalecimento das ações de prevenção e resposta da Defesa Civil diante da ocorrência de tremores de terra.
Embora o Brasil esteja situado no interior da Placa Sul-Americana, distante das zonas de maior atividade sísmica do planeta, o Acre sofre influência indireta dos movimentos provocados pela interação entre as placas tectônicas de Nazca e Sul-Americana. Essa dinâmica geológica explica os abalos sísmicos registrados ocasionalmente na região amazônica e reforça a importância do monitoramento científico permanente.
“Este é o primeiro laboratório de sismologia da região Norte. Isso é muito importante porque nossa região sofre influência da atividade na borda de duas placas tectônicas”, destacou a reitora da Ufac, Guida Aquino.
Além do acompanhamento de eventos sísmicos, os pesquisadores utilizarão métodos de sísmica passiva para investigar estruturas geológicas profundas com potencial para geração e migração de hidrogênio geológico, considerado uma das fontes energéticas mais promissoras para a transição energética global.
A deputada federal Socorro Neri ressaltou que o investimento representa um avanço estratégico para a ciência produzida na Amazônia. Segundo ela, os novos equipamentos ampliarão a capacidade técnica da universidade e contribuirão diretamente para o monitoramento mais preciso e seguro dos fenômenos sísmicos que afetam a região.
O coordenador do projeto e professor da área de Física, Antonio Romero da Costa Pinheiro, enfatizou que a iniciativa também possui forte componente educacional e de extensão universitária.
“Unimos a pesquisa de ponta à extensão universitária através da confecção de sismômetros didáticos de baixo custo com sensores Arduino para escolas públicas da rede estadual e municipal”, explicou.
A proposta prevê a disseminação do conhecimento científico para além dos muros da universidade, incentivando o interesse de estudantes da educação básica pelas áreas de Física, Geociências e inovação tecnológica.
Participaram da solenidade a vice-reitora eleita, Almecina Balbino; a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação, Margarida Carvalho; o diretor do Centro de Ciências Biológicas e da Natureza (CCBN), José Ribamar Lima; e o coordenador do curso de Física, Victor Ribeiro.
Com a implantação da rede de monitoramento e o fortalecimento da infraestrutura científica, a Ufac amplia seu protagonismo na produção de conhecimento sobre a dinâmica geológica da Amazônia, colocando o Acre em posição de destaque em uma área estratégica para a pesquisa, a prevenção de desastres naturais e a formação de novos cientistas.











