RAIMUNDO FERREIRA
Os nossos heróis da atualidade é tema da coluna desta quarta-feira, 27, do professor Raimundo Ferreira

HERÓIS DA GERAÇÃO ATUAL
Conforme podemos constatar nos registros históricos, somente depois de algum tempo, na verdade, é a geração seguinte que começa a exaltar e reconhecer quem possuía valores e merece ser reconhecido como herói ou pessoa de utilidade para sua geração. Esse desprezo, ou melhor, essa falta de reconhecimento por parte dos contemporâneos em relação àqueles que são valorosos e geniais em determinadas habilidades, talentos e conhecimentos diferenciados, parece caracterizar-se como uma grande injustiça e também uma demonstração de insensibilidade para com as pessoas especiais de uma geração, assim como foram injustiçadas as pessoas diferenciadas de outras épocas.
No entanto, não sei se estou sendo pouco otimista ou até egoísta, mas, a grosso modo, parece que as pessoas especiais, dotadas de ideais excepcionais, talentos singulares, persistência e perseverança, e que realmente buscam se destacar verticalmente acima das demais, não estão de fácil visibilidade nesta geração. Ou seja, não estamos conseguindo identificá-las com facilidade. Será que, de certo modo, esta geração está desprovida de pessoas excepcionais? Ou será que somente depois, a próxima geração irá reconhecer e provar o contrário? Ou melhor, identificar quem foram os nossos heróis?
Olhando pelo retrovisor e recordando as gerações passadas, identificamos grandes homens que marcaram época e fizeram a diferença. Conforme relatos históricos, em suas próprias gerações, muitos deles não foram tão reconhecidos como deveriam. No entanto, de modo algum eram pessoas anônimas, comuns ou invisíveis.
Como podemos observar, além dos filósofos, que continuam e sempre serão citados, temos também os grandes gênios da música clássica. Podemos citar ainda, entre outros, exemplos como Leonardo da Vinci, Isaac Newton, Santo Agostinho e, no Brasil, figuras como Rui Barbosa, Machado de Assis, Santos Dumont, entre outros, que são reconhecidos até hoje como gênios, com visões além de seu tempo. Entretanto, durante suas existências, já apresentavam ideias, habilidades e sabedoria que se destacavam diante de seus contemporâneos e discípulos.
A filósofa contemporânea Helena Blavatsky relata que, apesar de parecer algo fora do alcance das pessoas comuns, cada indivíduo deveria adotar um herói de estimação. Isso porque, embora ele aparente possuir uma aura fora do contexto comum, quase sobrenatural, os sonhos — especialmente os da juventude — muitas vezes se fundamentam na aventura de seguir e, de certo modo, cultuar esse herói como um arquétipo para a vida.
Diante dessa premissa, conforme já abordamos anteriormente, qual seria o herói de nossa geração que poderia servir de espelho ou inspiração para alimentar as aspirações das mentes inquietas, especialmente os sonhos da juventude? Na verdade, com a devida vênia, infelizmente, o que estamos presenciando é, uma prática de cultuar o que poderíamos denominar obsurdo ou ridículo. Pois, aproveitando o advento da comunicação fácil através das redes sociais, uma porção de pessoas, intituladas criadores de conteúdos, sem qualquer qualificação cultural, ou conteúdo educativo útil, estão se expondo de forma totalmente groceira e debochada, e pasmem! Conseguindo formar legiões de adeptos, e até ganhar a vida com essas práticas, ou seja, de certo modo, ocupando espaço e expondo a falência de nossa geração.











