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ESPORTE

Retórica adivinhatória

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Em época de Copa do Mundo multiplicam-se os mais diversos tipos de profecias anunciando qual seleção vai levar o título para casa. Ciganos, bruxos, cartomantes, místicos, macumbeiros, cada um garantindo que leu nos troncos das árvores ou nas brumas de Avalon a resposta correta.

Na Copa do Mundo de 2010, aquela que foi jogada na África do Sul, apareceu até um polvo que tanto adivinhava os resultados dos jogos quanto fazia chover nas cercanias dos estádios. Comenta-se que esse tal polvo só não conseguiu adivinhar o dia em que um cozinheiro faria dele uma paella.

Agora, nessa vigésima terceira edição do torneio, com jogos espalhados por três países (Estados Unidos, México e Canadá), a previsão mais divulgada vem de um super computador de uma empresa sediada na Inglaterra. De acordo com o dito cujo, quem vai ganhar a Copa é a Argentina.

A previsão é baseada numa montanha de dados numéricos inseridos na máquina, levando em conta, principalmente, os últimos resultados da referida seleção, bem como, é claro, as habilidades dos seus jogadores, devidamente liderados pelo pequenino e veterano craque Lionel Messi.

Tudo muito bom, tudo muito bem. Entretanto (essa conjunção adversativa é de lascar), como, de acordo com a sabedoria popular, o futebol “é uma caixinha de surpresas”, nunca é demais os apostadores tomarem as suas precauções e não confiarem tão demasiadamente no palpite da máquina.

A história relata que no passado, mais especificamente na Copa do Mundo de 1958, aquela jogada na Suécia, a União Soviética, que à época detinha o maior saber no campo da tecnologia, mapeou todas as virtudes dos seus adversários, mediante informações oriundas de um computador.

Contra o Brasil, por exemplo, que seria o seu terceiro adversário na fase de grupos, eles alimentaram o computador com todos os dados possíveis para anular o Garrincha. Então, feito isso, o lateral-esquerdo lá deles, um certo Kuznetsov, sabia direitinho para que lado o craque brasileiro driblava.

Dizem testemunhas da hora que eles estavam tão certos de vencerem o Brasil, por conta das instruções do seu computador, que até encomendaram noventa e seis garrafas de vodca para comemorar a vitória tão logo o árbitro da partida, o francês Maurice Guigue, erguesse o braço e trilasse o apito final.

Infelizmente, para eles, na hora do jogo o Garrincha subverteu tudo o que o computador havia previsto e antes de decorridos três minutos o Brasil já vencia por um a zero, gol de Vavá. O lateral acabou levando o maior baile da sua vida. O computador, por sua vez, foi enviado direto para a Sibéria!

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