Gabriel Rasteli
Colunista Gabriel Rasteli escreve nesta terça, 14; Gostei, postei e esqueci

Todo mundo já amou obsessivamente algo que hoje nem lembra que existe. Aquelas modas repentinas que chegam e conquistam uma multidão da noite para o dia.
Quem não se lembra do morango do amor? De repente, uma febre. Uma procura absurda por uma novidade que alcançou o país todo e hoje caiu no esquecimento.
Esse movimento tem se tornado cada vez mais comum em nossa sociedade, principalmente na música. E não é de hoje. Já cantamos cada um no seu quadrado, lepo lepo e até o ragatanga. Há alguns meses atrás falávamos sobre descer para BC, hoje ninguém fala mais nisso.
Trata-se de um fenômeno natural de uma sociedade líquida, conceito do ilustre filósofo Zygmunt Bauman que ganhou notoriedade internacional.
Esse conceito parte do pressuposto que a sociedade está caminhando para relações mais fluidas, isto é, sem vínculo social. Algo que é mais transitório, de fácil mudança, de pouca duração. Diferentemente de algo sólido, rígido e duradouro, que eram as marcas de uma geração anterior.
Isso demonstra a nossa volatilidade, ou seja, como estamos sujeitos à mudança, e claro, sempre em busca de novidades. As inovações mexem com as nossas emoções. De certo modo nos atraem. E no mundo de hoje novidade é o que não falta. A era da tecnologia é a era da inovação.
O que consequentemente também promove uma mudança em nosso comportamento. É impressionante como passamos de um sentimento tão forte para o esquecimento de forma tão repentina.
O tráfego das nossas emoções é perceptível na medida que temos um afastamento histórico acerca do período que vivemos.
De modo mais simples: é só visitar a sua linha do tempo em uma de suas redes socias para ver o quanto você mudou. Para os mais antigos recomendo uma visita nos álbuns de fotografia.
Aquela fase mais rebelde, as roupas da época, o estilo de vida adotado, até mesmo as músicas que ouvíamos e que hoje nem faz mais sentido.
Pois é, em alguns casos parece que era até uma outra pessoa. E como diria Lulu Santos em um de seus grandes sucessos: nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.
Houve uma época em que as meninas adolescentes tinham que usar as sandálias da Sandy e o perfume Ma Chérie, hoje se vestem como as influencers e usam os perfumes da Virgínia. Houve um tempo em que os meninos adolescentes usavam muito gel no cabelo e vestiam calça bag, enquanto hoje gostam de roupas oversized.
De certa forma, nos atraímos rapidamente com uma novidade (gostamos), interagimos com ela (postamos), mas não de modo a ser tão duradouro, por isso, logo se vai (esquecemos).
Afinal, “só o que o é bom dura tempo o bastante para se tornar inesquecível” – trecho da canção Vícios e Virtudes – Charlie Brown Jr.










