Gabriel Rasteli
Coluna do Rasteli Jeitinho brasileiro: criatividade ou malandragem?

JEITINHO BRASILEIRO: CRIATIVIDADE OU MALANDRAGEM?
Quem nunca ouviu ou leu a seguinte frase: “o brasileiro tem que que ser estudado pela NASA”? Pois é, o brasileiro chama a atenção por sua criatividade em certas ocasiões que o fazem sair do padrão para superar alguma adversidade.
Enquanto uns visualizam o problema e não conseguem ver uma solução, o brasileiro tem por característica acreditar até o fim e arrumar algum jeito de conseguir o que quer.
Talvez você não saiba, mas o carro movido a álcool surgiu aqui no Brasil como uma resposta à crise mundial do petróleo. Os países árabes aumentaram consideravelmente o preço do petróleo e uma solução caseira foi uma resposta e tanto para a economia nacional, o etanol.
Outra coisa que está presente em nossa vida há tempos é o chuveiro elétrico, que foi inventado na cidade de Jaú (interior de São Paulo), como uma resposta à uma doença. Isso mesmo, Francisco Canho via seu pai sofrendo com reumatismo e tinha que dar banhos quentes nele com frequência. Era muito penoso esquentar água no fogão, tão logo nasceu o chuveiro elétrico.
Veja que muitas vezes as situações difíceis têm o poder de extrair de nós uma resposta e tanto. Um processo que lembra a extração do azeite, onde a azeitona é moída, prensada, amassada, para que o bom azeite seja produzido.
Mas, nem tudo são flores. Por aqui também vemos e ouvimos sobre a “Lei de Gérson”. Se você ainda não conhece é porque isso tudo nasceu nos anos 70 através uma propaganda estrelada pelo craque tricampeão pelo Brasil, por isso a lei levou seu nome.
A famosa Lei de Gérson consiste em querer obter vantagem de toda e qualquer situação independentemente de qualquer regra moral ou ética. Segunda esta lei o importante é sair por cima, levar vantagem, onde o benefício pessoal sobrepuja qualquer limite.
Exemplos não faltam. Furar a fila, não devolver o troco a mais, são apenas situações pequenas, mas que ilustram muito bem uma cultura que foi criada onde a individualidade fala mais alto do que a coletividade. Onde eu preciso levar vantagem em tudo ainda que isso vá prejudicar o outro.
Quer seja para o bem ou para o mal, o brasileiro tem usado a sua criatividade, que por vezes se caracteriza em malandragem. Se malandro é malandro e mané é mané eu não sei, mas já cantamos muito que só pedimos a Deus um pouco de malandragem. Músicas que escancaram a nossa cultura, que por vezes nos orgulha e outras tanto arrasta a nossa cara no chão.
A criatividade é uma característica inerente do homem (da humanidade). Adquirida pelo fato de termos a imagem e semelhança de Deus (imago Dei). Assim como a disciplina é uma característica marcante dos orientais, a alegria é uma marca dos povos africanos, por aqui encontramos a criatividade.
Que o jeitinho brasileiro de ser seja mais criativo do que malandro e que a nossa criatividade não se esgote. Assim como uma criança que faz de uma nuvem um dinossauro, que possamos olhar para o céu com criatividade para termos mais capacidade de criar atividades que podem melhorar os nossos dias.












