Gabriel Rasteli
Em sua coluna da semana, Gabriel Rasteli fala sobre a saudade daquilo que ainda não viveu

SAUDADE DO QUE A GENTE AINDA NÃO VIVEU: EXPECTATIVAS FORAM CRIADAS.
É possível sentir saudade de algo que ainda não foi vivido? Como podemos sentir falta de passar por aquilo pelo qual nunca se quer experimentamos?
Pois é, às vezes somos tomados por um sentimento como esse. Mas será que faz algum sentido? Faz.
Principalmente quando antecipamos em nossos pensamentos aquilo que queremos que aconteça. E de modo engenhoso, através da imaginação, criamos um mundo de possibilidades.
Criar expectativas faz parte do nosso dia a dia. Afinal, trabalhamos todos os dias na expectativa de que até o quinto dia útil do mês recebamos nosso salário.
Porém, as expectativas que criamos podem ser bem perigosas, uma vez que elas não são reais. Estão em nosso imaginário, muita das vezes só nós as conhecemos. E quando isso acontece é mais fácil de nos decepcionarmos.
Veja só, como é possível ter sua expectativa correspondida se nem tudo está em nosso controle?
Recentemente vivemos um episódio tomado de grande repercussão, que atraiu os olhos do mundo todo para o Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro. “E o Neymar, vai pra Copa?” era o que todos perguntavam.
A pergunta de um milhão de dólares seria respondida por Carlo Ancelotti, em sua lista de convocação da seleção brasileira para a Copa do Mundo.
Uma tensão palpável estava no ar, pairava sobre todos que atônitos acompanhavam a transmissão. Até na sala de imprensa o sentimento crescia entre os presentes.
A grande expectativa era se Neymar estaria relacionado. Os jogadores eram chamados em ordem alfabética e quando chegou na hora H, ou melhor na hora N, uma comoção nacional aconteceu. Ali, naquele momento, expectativas foram respondidas.
Se de forma positiva ou negativa, elas foram respondidas. E precisamos saber lidar com isso. Precisamos saber o que fazer com o resultado daquilo esperávamos que ocorresse no mundo real, ainda que esse resultado seja o oposto daquilo que gostaríamos.
Porque uma coisa é certa: enquanto vivermos vamos ter sonhos, desejos, vontades. E, consequentemente, vamos criar novas expectativas.
Agora a convocação já passou. A pergunta foi respondida. Mas outras surgem. ”E o Brasil, vai ganhar a Copa?”.
Assim como em The last dance, documentário da Netflix sobre o último título de NBA do inigualável Michael Jordan, a minha expectativa é Neymar tenha nessa Copa a sua última dança pela seleção.
E se for com ousadia e alegria, que se exalte o samba, o futebol, a seleção canarinho. Assim como a última dança de Jordan o coroou com o sexto título, tomara que a última dança de Neymar traga também o Hexa para o Brasil.












