SAÚDE
Acre participa de campanha internacional contra raiva na fronteira com Bolívia e Peru

O Acre participa neste sábado (22) de uma mobilização internacional de vacinação contra a raiva em cães e gatos nas regiões de fronteira. A ação integra a abertura da Campanha de Vacinação Antirrábica Canina e Felina na Fronteira, promovida pelo Ministério da Saúde com participação de representantes do Brasil, Bolívia e Peru.
Além do Acre, a campanha brasileira alcança Rondônia e Mato Grosso do Sul e ocorre simultaneamente com ações na Bolívia. A estratégia busca aumentar a vacinação de cães e gatos e reforçar a vigilância da doença justamente nas áreas onde a circulação de pessoas e animais entre países exige atuação conjunta das autoridades sanitárias.
O Ministério da Saúde disponibilizou vacinas antirrábicas e materiais para os municípios brasileiros envolvidos, além de apoiar atividades na Bolívia e no Peru. Foram fornecidos equipamentos como caixas térmicas, termômetros, cambões, cordas e focinheiras, destinados à conservação das vacinas e à segurança dos profissionais e animais.
“Essa ação fortalece a vigilância integrada da raiva e a vacinação de cães e gatos em regiões de fronteira, onde a circulação de pessoas e animais entre diferentes países exige ações coordenadas de prevenção e controle”, afirmou o diretor do Departamento de Doenças Transmissíveis do Ministério da Saúde, Francisco Edilson Ferreira.
A mobilização ocorre no ano em que o Brasil completa uma década sem registrar casos de raiva humana transmitida pelas variantes AgV1 e AgV2, associadas aos cães. O último registro desse tipo ocorreu há dez anos.
Apesar do avanço, o vírus da raiva continua circulando entre animais silvestres, principalmente morcegos, primatas e raposas, o que mantém a necessidade de vacinação de cães e gatos e de vigilância permanente, inclusive no Acre.
Entre 2016 e 2026, o Brasil confirmou 37 casos de raiva humana, todos associados a variantes silvestres. Os morcegos estiveram envolvidos em 22 ocorrências, o equivalente a 59,5% do total. Outros sete casos foram relacionados a primatas, quatro a gatos infectados com variante de morcego, dois a raposas, um a cão infectado com variante de morcego e um a bovino também infectado com variante de morcego.
A raiva é uma doença viral grave e apresenta alta letalidade após o aparecimento dos sintomas. Em caso de mordida, arranhão ou contato de risco com saliva de mamíferos, a orientação do Ministério da Saúde é procurar imediatamente atendimento, mesmo quando o ferimento parecer pequeno.
Após avaliação, o profissional poderá indicar a profilaxia antirrábica, com vacina e, quando necessário, soro ou imunoglobulina, disponibilizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A população também deve evitar contato direto com morcegos e outros animais silvestres encontrados mortos ou apresentando comportamento incomum.












