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Rio Branco mantém programa há 22 anos e 300 fumantes buscaram ajuda para abandonar o cigarro em 2026

Em um momento em que o Brasil volta a acender o sinal de alerta para o tabagismo, Rio Branco mantém há 22 anos uma porta aberta para quem decidiu apagar o cigarro. Somente no primeiro semestre de 2026, 300 pessoas aderiram ao programa municipal de combate ao tabagismo e passaram a receber acompanhamento gratuito na rede pública de saúde.
O número divulgado nesta quinta-feira (27) pela Prefeitura de Rio Branco representa uma média de 50 novos pacientes por mês, ou aproximadamente dois por dia útil. Atualmente, 12 unidades de saúde da capital oferecem atendimento relacionado ao abandono do cigarro: oito trabalham com acompanhamento individual e quatro mantêm grupos de tabagismo.
A procura ocorre justamente quando os dados nacionais mostram uma mudança preocupante. Segundo levantamento divulgado neste mês pelo Ministério da Saúde, 11,7% dos adultos brasileiros fumavam em 2024. O percentual havia ficado em 9,2% em 2023. O próprio Ministério chama atenção para o crescimento depois de quase duas décadas marcadas predominantemente pela redução do tabagismo.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca), ao analisar os dados do Vigitel 2024, pondera que houve mudanças metodológicas na pesquisa e recomenda cautela na comparação direta com anos anteriores. Ainda assim, o levantamento mostra que o cigarro continua presente na vida de aproximadamente um em cada nove adultos pesquisados nas capitais brasileiras e no Distrito Federal.
Entre os homens, a prevalência nacional chegou a 13,9% em 2024, contra 9,5% entre as mulheres, conforme o Inca. Em 2006, primeiro ano da série histórica do Vigitel, 15,7% dos adultos eram fumantes. Apesar da redução acumulada no longo prazo, os indicadores mais recentes reforçam a necessidade de manter os programas de prevenção e tratamento.
Outro sinal dessa demanda aparece diretamente nas unidades do Sistema Único de Saúde. De acordo com o Ministério da Saúde, 2,1 milhões de pessoas procuraram atendimento no SUS em 2025 para receber apoio ou tratamento destinado à interrupção do tabagismo.
Em Rio Branco, o tratamento oferecido pela Secretaria Municipal de Saúde começa com a avaliação do paciente e pode reunir diferentes estratégias. Há acompanhamento médico e de enfermagem e, quando necessário, atendimento odontológico. Conforme o grau de dependência e a avaliação da equipe, também podem ser utilizados medicamentos e terapias de reposição de nicotina, incluindo adesivos e gomas de mascar.
A rede municipal trabalha ainda com encontros coletivos. Segundo Arlene Moura, chefe da Divisão de Controle do Tabagismo da Secretaria Municipal de Saúde, os grupos combinam orientação profissional, estratégias práticas para enfrentar a dependência e apoio entre pessoas que vivem o mesmo processo.
A dimensão do problema vai muito além do hábito de fumar. Estudo disponibilizado pelo Inca estima que 477 pessoas morrem por dia no Brasil em consequência do tabagismo. Isso corresponde a aproximadamente 174 mil mortes por ano.
O impacto também chega às contas públicas e à economia. Conforme o mesmo levantamento do Inca, doenças e perdas de produtividade associadas ao consumo de tabaco provocam prejuízo estimado em R$ 153,5 bilhões por ano no país.
O Ministério da Saúde aponta ainda que o cigarro está relacionado a cerca de 90% das mortes por câncer de pulmão. O tabagismo também aumenta o risco de doenças cardiovasculares, doenças respiratórias crônicas e diferentes tipos de câncer.
Outro desafio recente está entre os mais jovens. Dados do Ministério da Saúde mostram que a proporção de pessoas de 18 a 24 anos que fumam ou utilizam dispositivos eletrônicos para fumar chegou a 10,1% em 2024. Em 2019, eram 7,4%. Foi o maior índice registrado para essa faixa etária desde o início desse acompanhamento.
Em Rio Branco, quem pretende abandonar o cigarro não precisa esperar pela formação de uma campanha específica. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, as inscrições permanecem abertas durante todo o ano.
O atendimento individual é oferecido nas unidades Genilson Pinto, no Triângulo Novo; Francisco Carneiro de Lima, no São Francisco; Francisco Eduardo de Paiva, no Rui Lino; Platilde Oliveira, no Tancredo Neves; Francisco Bacurau, na Vila Albert Sampaio; Barro Vermelho, na Vila Jorge Kalume; Ivacirene Lourenço do Carmo, no Portal da Amazônia; e Maria Sofia, no Santa Cecília.
Já os grupos de apoio funcionam nas unidades Benfica, Maria Verônica, no Preventório; Elpídio Moreira, no Defesa Civil; e Maria Áurea Vilela, no bairro Cadeia Velha.
Às vésperas do Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, os 300 moradores que procuraram tratamento na capital neste primeiro semestre ajudam a dimensionar uma face menos visível do tabagismo: além de quantificar quem ainda fuma, os números mostram também quantas pessoas estão tentando parar.











