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Acre alcança 391,7 pontos em leitura no Pisa e tem maior média da Amazônia Legal

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O Acre alcançou 391,7 pontos em leitura no Pisa 2025, a maior média entre os nove estados da Amazônia Legal. O resultado ficou 2,2 pontos acima de Rondônia, com 389,5, e 4,9 pontos à frente do Pará, com 386,8, segundo dados da avaliação internacional compilados pela Amazônia Urbana.
O desempenho coloca o Acre no grupo dos três estados amazônicos que ultrapassaram 380 pontos em leitura. Depois de Acre, Rondônia e Pará, aparecem Mato Grosso, com 376,2 pontos, Amazonas, com 374,5, Amapá, com 369,5, Maranhão, com 367,7, Roraima, com 363,8, e Tocantins, com 362,8.
Entre o Acre e Tocantins, que apresenta a menor média entre os nove estados relacionados, a diferença chega a 28,9 pontos.


A média simples dos nove estados fica em aproximadamente 375,7 pontos. O resultado acreano está, portanto, cerca de 16 pontos acima desse patamar regional.
A leitura dos números, no entanto, exige cautela. O Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), que analisou os microdados do Pisa 2025, alerta que a avaliação é amostral e que as médias estaduais não devem ser interpretadas como um ranking rígido.
“Algumas das conclusões apresentadas no debate público atribuem aos números uma precisão que eles não têm”, afirmam Ernesto Martins Faria, diretor-fundador do Iede, e Matheus Mascioli, diretor de dados da instituição, em análise publicada em 23 de setembro.
Segundo os pesquisadores, as pontuações do Pisa são estimativas e possuem erros-padrão e intervalos de confiança. Isso significa que pequenas diferenças entre estados, como os 2,2 pontos que separam Acre e Rondônia, não são suficientes, isoladamente, para comprovar uma diferença estatisticamente significativa de desempenho.
“O Pisa é uma avaliação amostral e, portanto, suas médias são estimativas sujeitas a erros”, explicam Faria e Mascioli. Eles acrescentam que os erros-padrão “não são apenas um detalhe técnico, mas parte importante da informação”.
A advertência é particularmente relevante para o resultado acreano. Embora a média de 391,7 seja numericamente a maior da Amazônia Legal, o próprio Iede afirma que “a amostra brasileira não oferece precisão suficiente para a elaboração de rankings por unidades da Federação”.
O instituto propõe outra leitura dos resultados: comparar o desempenho obtido pelos estudantes com aquele que seria esperado diante de suas condições socioeconômicas. Para isso, utiliza o índice socioeconômico do Pisa, que considera fatores associados ao ambiente familiar dos estudantes, como escolaridade dos pais e disponibilidade de recursos.
Essa análise mostra que a posição de um estado na ordenação das notas não necessariamente significa que seu sistema educacional apresenta melhor desempenho quando consideradas as condições socioeconômicas dos alunos.
“Uma forma mais informativa de examinar o desempenho das redes é relacioná-lo ao ESCS, índice de nível socioeconômico utilizado pelo Pisa, revelando aspectos que uma simples ordenação das médias não consegue mostrar”, afirmam os pesquisadores do Iede.
No Brasil, o Pisa 2025 registrou médias de 408 pontos em leitura, 377 em matemática e 409 em ciências. Dessa forma, os 391,7 pontos atribuídos ao Acre em leitura ficam 16,3 pontos abaixo da média brasileira.
A avaliação é coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e mede o desempenho de estudantes de 15 anos. Diferentemente de avaliações centradas apenas no conteúdo escolar, o Pisa procura verificar a capacidade dos alunos de utilizar conhecimentos de leitura, matemática e ciências diante de problemas e situações práticas.
No recorte da Amazônia Legal, o dado bruto coloca o Acre com 391,7 pontos, seguido de Rondônia, com 389,5, e Pará, com 386,8. A interpretação estatística recomendada pelos pesquisadores, porém, impede transformar diferenças pequenas entre essas médias em uma conclusão definitiva sobre qual sistema estadual de ensino apresenta melhor desempenho.
Fontes: Pisa 2025, Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico; Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede); compilação regional da Amazônia Urbana.

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