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USP publica estudo de 46 páginas sobre quase cinco décadas de pesquisas dos geoglifos do Acre

Um estudo publicado pela Universidade de São Paulo em setembro de 2026 reúne e analisa quase cinco décadas de produção científica sobre os geoglifos do Acre, cobrindo o período de 1977 a 2024.
O trabalho, de Pedro Ribeiro Sampaio, foi publicado em 22 de setembro na revista Epígrafe, da USP. O artigo ocupa 46 páginas, da página 302 à 347, e foi desenvolvido com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
A pesquisa reconstrói as principais interpretações formuladas para explicar os grandes monumentos escavados no solo acreano pelas sociedades pré-colombianas. O levantamento parte das discussões iniciadas na década de 1970 e acompanha a transformação das teorias arqueológicas até as interpretações mais recentes.
O autor divide essa trajetória em três grandes correntes: ecologia cultural, ecologia histórica e interpretações indígenas. A análise mostra como as explicações sobre os geoglifos acompanharam mudanças na própria compreensão acadêmica sobre a ocupação humana da Amazônia.
Os geoglifos são tratados como grandes estruturas construídas no solo amazônico por sociedades anteriores à colonização europeia. O avanço das descobertas e pesquisas contribuiu para modificar interpretações que apresentavam a floresta como ambiente pouco alterado e incapaz de sustentar sociedades complexas.
O estudo acompanha ainda a mudança de perspectiva da arqueologia amazônica. As interpretações deixaram de se concentrar exclusivamente nas limitações ambientais impostas pela floresta e passaram a considerar de maneira crescente as transformações da paisagem promovidas pelas populações indígenas.
Ao todo, a pesquisa cobre 47 anos de produção científica e utiliza os geoglifos acreanos para reconstruir tanto a evolução das pesquisas arqueológicas quanto das ideias sobre a ocupação humana da Amazônia.









