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Produção de mel avança no Acre, alcança 15 municípios e movimenta 240 produtores

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Com uma produção anual de aproximadamente 14 toneladas de mel, o Acre vem ampliando uma atividade que reúne agricultura familiar, extrativismo, comunidades indígenas e aproveitamento sustentável da biodiversidade amazônica. A cadeia produtiva já alcança 15 dos 22 municípios acreanos, envolve cerca de 240 produtores e tem como meta elevar a produção para 22 toneladas até 2030, crescimento projetado de 57,1%.

Os números foram divulgados nesta segunda-feira (26) pela Secretaria de Estado de Agricultura (Seagri), que desenvolve ações de assistência técnica, capacitação e estruturação da cadeia produtiva por meio do Núcleo da Cadeia Produtiva do Mel (Numel).

A presença da atividade em 15 municípios representa uma cobertura de 68,2% do território municipal acreano. Outros sete municípios, equivalentes a 31,8% do total, ainda não estão incluídos na abrangência informada pelo núcleo.

A expansão ocorre em um estado que reúne condições naturais particulares para a produção de mel. A floresta amazônica abriga grande diversidade de espécies vegetais e de abelhas nativas, responsáveis pela polinização de plantas silvestres e cultivadas. No Acre, já foram catalogadas mais de 60 espécies de abelhas sem ferrão, entre as mais de 400 identificadas no Brasil.

Essa diversidade permite a produção de méis com características distintas de sabor, aroma, coloração e composição, dependendo das espécies de abelhas e das plantas utilizadas na coleta de néctar.

A produção acreana de aproximadamente 14 toneladas corresponde a 14 mil quilos anuais. Considerando os 240 produtores envolvidos na cadeia, a relação aritmética equivale a cerca de 58,3 quilos por participante ao ano. O cálculo não representa a produtividade individual, pois a atividade reúne produtores com diferentes estruturas, espécies e escalas de produção.

Para alcançar a meta de 22 toneladas em 2030, será necessário acrescentar aproximadamente oito toneladas à produção anual atual. O crescimento projetado corresponde a 57,1% em relação ao volume informado para 2026.

A estruturação da cadeia envolve a distribuição de caixas para criação de abelhas, fornecimento de cera, equipamentos de proteção individual, assistência técnica e realização de cursos, oficinas e intercâmbios.

Segundo Rúbia Lima, coordenadora do Numel, o trabalho também contempla a aquisição de trailers e uma van para apoiar o beneficiamento da produção, além da estruturação das chamadas Casas do Mel.

Essas unidades são destinadas ao processamento e à adequação sanitária dos produtos, etapas necessárias para ampliar a comercialização e alcançar mercados consumidores mais exigentes.

Um dos principais desafios está na certificação. Atualmente, apenas uma Casa do Mel possui o Selo D’Colônia, conforme o levantamento da Seagri. A secretaria pretende ampliar o número de unidades regularizadas e avançar na obtenção do registro no Serviço de Inspeção Federal (SIF).

A certificação federal permitiria ampliar as possibilidades de comercialização interestadual, observadas as exigências sanitárias aplicáveis, e integrar a preparação dos produtores para acessar mercados externos.

A cadeia do mel acreano reúne duas atividades distintas. A apicultura trabalha com abelhas com ferrão, enquanto a meliponicultura utiliza espécies nativas sem ferrão, encontradas naturalmente nos ecossistemas brasileiros.

No Acre, a criação dessas espécies também começa a se integrar a iniciativas de educação ambiental e turismo de natureza.

Uma das experiências é desenvolvida pelo servidor da Defensoria Pública Gabriel Ribeiro, que transformou o interesse pelas abelhas nativas em um projeto de meliponicultura e ecoturismo na região da Estrada do Quixadá, nas proximidades de Rio Branco.

Em uma área de 150 hectares, o projeto mantém mais de 50 caixas de abelhas sem ferrão e oferece aos visitantes uma trilha ecológica de 1,5 quilômetro, com atividades de observação, manejo e degustação de diferentes variedades de mel.

A iniciativa, denominada Trilha do Mel, recebe entre 15 e 35 visitantes por mês, o equivalente a uma projeção de 180 a 420 visitantes por ano, caso o movimento mensal se mantenha. Segundo os responsáveis, mais de 60 pessoas já foram diretamente alcançadas pelas atividades.

O projeto também realiza capacitações trimestrais voltadas à formação de novos meliponicultores. As atividades reúnem estudantes, servidores públicos, moradores de comunidades e interessados na criação sustentável de abelhas.

A experiência deu origem à organização não governamental Mãos que Ajudam, que desenvolve ações relacionadas à preservação ambiental, à produção de mel e ao turismo sustentável.

Gabriel Ribeiro afirma que o contato com a floresta desde a infância contribuiu para seu interesse pela atividade, retomada durante a pandemia.

“Eu sempre tive contato com a floresta, desde criança. Na pandemia, voltei a estudar sobre as abelhas e percebi que poderia unir produção de mel com turismo sustentável. Hoje, nosso trabalho é mostrar que cuidar das abelhas é também cuidar da floresta”, relata.

Além do mel, as abelhas nativas produzem pólen armazenado nas colmeias, conhecido como saburá, que também pode ser aproveitado comercialmente, observadas as condições sanitárias e de processamento.

A diversidade das espécies constitui um diferencial para a atividade. As características do mel variam conforme a origem floral, as condições ambientais e o comportamento das abelhas, permitindo a produção de variedades com perfis sensoriais diferentes.

O reconhecimento desses produtos também começa a aparecer em competições nacionais. Segundo a Seagri, uma produtora acreana conquistou o terceiro lugar em um concurso de mel, embora a divulgação não informe o nome da competição nem a categoria premiada.

A secretaria também apoia a organização da primeira Feira do Mel do Acre, iniciativa proposta por Gabriel Ribeiro e incorporada às ações de fortalecimento da cadeia produtiva. A programação prevista inclui comercialização, atividades de capacitação e participação de especialistas do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa).

A coordenadora do Numel destaca que a organização dos produtores em polos regionais constitui uma das estratégias para ampliar a produção e melhorar as condições de beneficiamento e comercialização.

“Queremos ampliar a atuação para todos os municípios do Acre, organizando os produtores em polos e fortalecendo a identidade do mel acreano, que tem características únicas, graças à nossa fauna e flora”, afirma Rúbia Lima.

Com 240 produtores distribuídos por 15 municípios, produção estimada em 14 toneladas anuais e meta de 22 toneladas até 2030, a cadeia produtiva do mel integra as atividades acompanhadas pela Secretaria de Agricultura no processo de diversificação da produção rural acreana.

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