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Agricultura do Acre mais que dobra de valor em seis anos, com café crescendo 1.258% e soja avançando mais de 1.600%

A agricultura acreana está vivendo uma transformação que aparece nos números, ganha espaço nas propriedades rurais e amplia a importância econômica de culturas tradicionais e emergentes. Entre 2019 e 2025, o valor da produção de sete importantes produtos agrícolas passou de R$ 424 milhões para R$ 984,5 milhões, crescimento nominal de 132,2%. Em apenas seis anos, o campo acrescentou R$ 560,5 milhões ao valor produzido por essas culturas, segundo levantamento baseado na Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O avanço ganha dimensão quando se observa o desempenho individual das lavouras. O café, uma das atividades que mais têm recebido investimentos e atraído produtores, saltou de R$ 8,8 milhões em 2019 para R$ 119,5 milhões em 2025. O crescimento nominal de aproximadamente 1.258% multiplicou por 13,6 o valor da produção.
A soja apresentou expansão ainda maior em termos percentuais. Em seis anos, passou de R$ 6,4 milhões para R$ 112,2 milhões, aumento de aproximadamente 1.653%. O produto, que tinha participação reduzida na economia agrícola acreana, passou a representar 11,4% do valor gerado pelas sete culturas analisadas.
O milho também conquistou espaço. O valor da produção avançou de R$ 55 milhões para R$ 171,9 milhões, crescimento de 212,5%. Com isso, tornou-se a segunda cultura mais importante em valor nesse conjunto, atrás apenas da mandioca.
Juntos, café, soja e milho movimentaram R$ 403,6 milhões em 2025, contra R$ 70,2 milhões em 2019. A expansão foi de aproximadamente 475%, acrescentando R$ 333,4 milhões ao valor produzido. As três culturas responderam por cerca de 59,5% do crescimento nominal registrado pelo grupo de sete produtos no período.
A mandioca, tradicionalmente associada à agricultura familiar e à produção de farinha, manteve a liderança econômica. Seu valor passou de R$ 221,3 milhões para R$ 358,5 milhões, crescimento de 62%. Mesmo com a diversificação das lavouras, a cultura respondeu por 36,4% do valor total analisado em 2025.
A banana também apresentou desempenho positivo, passando de R$ 60,4 milhões para R$ 128 milhões, aumento de 111,9%. O produto consolidou a terceira posição entre as sete culturas, atrás da mandioca e do milho.
A expansão simultânea dessas atividades mostra uma agricultura que amplia sua diversidade econômica. A mandioca e a banana continuam gerando renda, enquanto o café, a soja e o milho aumentam sua participação no valor produzido.
O avanço também aparece na ocupação das terras agrícolas. Entre 2019 e 2025, a área colhida das sete culturas passou de 79.177 para 97.206 hectares, crescimento de 22,8%. Foram incorporados aproximadamente 18 mil hectares à superfície colhida, com destaque para a soja, que saltou de 1.590 para 15.156 hectares, expansão de 853,2%.
O milho ampliou sua área de 28.840 para 39.188 hectares, aumento de 35,9%. Já o café passou de 1.153 para 1.926 hectares, crescimento de 67%. Os resultados mostram que a expansão econômica ocorreu tanto pela incorporação de novas áreas quanto pela valorização das culturas e por mudanças na composição da produção.
Os dados mais recentes também apontam continuidade desse movimento em 2026. Segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE, referente a setembro, a safra acreana de cereais, leguminosas e oleaginosas está estimada em 204,3 mil toneladas, contra 186,9 mil toneladas em 2025. O crescimento previsto é de 9,3%, quase quatro vezes a expansão nacional estimada em 2,4%.
A área destinada a essas lavouras deverá alcançar 65,5 mil hectares, aumento de 4,3% sobre os 62,8 mil hectares do ano anterior. Como a produção deverá crescer mais rapidamente que a área cultivada, os números indicam uma elevação estimada de aproximadamente 4,8% no rendimento médio do conjunto dessas culturas.
A diversificação da agricultura também aparece na distribuição do valor produzido. Em 2025, mandioca, milho, banana, café e soja movimentaram aproximadamente R$ 890,2 milhões. As cinco culturas responderam por cerca de 90,4% do valor das sete lavouras analisadas.
Para a Secretaria de Estado de Agricultura, o fortalecimento das cadeias produtivas está associado à ampliação da assistência técnica, à mecanização, ao fornecimento de insumos e à estruturação de unidades de atendimento aos produtores.
A secretária Temyllis Silva destaca a aquisição de máquinas, tecnologias e mudas de café e cacau, além do fortalecimento de programas de compras governamentais da agricultura familiar. A pasta também ampliou sua presença em comunidades rurais, com abertura e reativação de núcleos de atendimento.
“Estamos trabalhando cada vez mais próximos dos agricultores, ouvindo suas demandas para que os investimentos atendam ao que realmente precisam. Assim, fortalecemos cadeias produtivas como mel, café, mandioca, olericultura e cacau, que têm mostrado resultados concretos e crescente rentabilidade”, afirmou.
A trajetória das lavouras acreanas reúne três indicadores de expansão: crescimento nominal de 132,2% no valor de sete culturas entre 2019 e 2025, aumento de 22,8% na área colhida dessas lavouras e projeção de avanço de 9,3% na produção estadual de grãos em 2026.
Os valores monetários são apresentados a preços correntes, sem desconto da inflação, enquanto a estimativa de safra para 2026 ainda poderá ser revista pelo IBGE. Os dados permitem acompanhar tanto a valorização econômica das culturas quanto o crescimento físico previsto para a produção agrícola acreana.









