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CULTURA & ENTRETENIMENTO

Artista acreano Ivan Campos estreia exposição individual em galeria de São Paulo

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Mostra “Hino às galáxias – Intuição e construção na pintura de Ivan Campos” reúne obras inéditas e pinturas produzidas desde a década de 1990, com curadoria de Lisette Lagnado

O artista plástico acreano Ivan Campos realiza sua primeira exposição individual em São Paulo, na galeria Almeida & Dale. Intitulada Hino às galáxias – Intuição e construção na pintura de Ivan Campos, a mostra tem curadoria de Lisette Lagnado e apresenta um panorama da trajetória e da produção artística do pintor.
Após participar do 38º Panorama da Arte Brasileira, realizado pelo Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM-SP), no Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC USP), em 2024, Ivan apresenta agora um conjunto de obras inéditas e pinturas produzidas desde a década de 1990.
As telas exploram representações da Floresta Amazônica a partir das experiências e da relação de proximidade do artista com a natureza. Com uma abordagem cromática singular, suas pinturas ocupam densamente a superfície, explorando os limites entre figura e fundo e a sobreposição dos planos, em composições que transitam entre o figurativo e o abstrato.
Na apresentação da exposição, a curadora Lisette Lagnado destaca que o artista não busca reproduzir a floresta por meio de uma representação naturalista, mas investigar as possibilidades de uma paisagem construída pela memória e pela imaginação.
“Um olhar inicial logo repara que o artista não aspira à paisagem naturalista (de respeitável trabalho de observação, vale dizer), preferindo sondar as entranhas da paisagem mental. Estas incidem sobre as telas com extrema sutileza, em manifestações que desafiam a distinção entre figura e fundo, próximo e distante”, escreve a curadora.
Lagnado também chama a atenção para o surgimento de animais e formas que parecem emergir gradualmente das pinturas, como aparições discretas em meio à vegetação. Entre eles estão gatos selvagens, sapos, besouros, cervos, beija-flores e jiboias.
Sobre o artista
Filho do radialista Cícero Moreira e de Gercina Braga Campos, bordadeira e funcionária pública, Ivan Campos teve seus primeiros contatos com o desenho ainda na infância. Durante um longo período de internação para tratamento de tétano, recebia diariamente da mãe pequenos desenhos feitos em pedaços de papel. Guardou todos e, após receber alta, começou a criar figuras humanas e vegetais que também serviam de referência para os bordados de Gercina.
Na infância, outra influência importante foram as histórias em quadrinhos, cujas imagens utilizava como referência para seus decalques. Com materiais simples, como sobras de papel e revistas em quadrinhos de baixo custo, desenvolveu de forma autodidata suas habilidades no desenho.
A pintura surgiu posteriormente, durante a juventude, marcada pelo rigor dos traços e pela minúcia adquirida no processo de aprendizagem. Ao longo de sua trajetória, a Floresta Amazônica, com seus rios e igarapés, tornou-se uma das principais referências de sua produção. Também aparecem em suas telas elementos místicos relacionados às experiências com a ayahuasca e cenas de interiores.
Longe de buscar uma reprodução fiel da natureza, o artista constrói paisagens que misturam percepção, memória e imaginação. Em suas composições, animais, espécies vegetais, grafismos e formas abstratas ocupam espaços densamente preenchidos, criando uma floresta fantástica na qual convivem elementos de diferentes ambientes naturais, reais ou imaginários.
A interação entre as formas e as cores é uma característica marcante de sua linguagem artística. Como explica o próprio pintor: “Posso dizer que combino cor e forma, muitas vezes a cor esconde a forma e a forma esconde a cor. É por isso que o espectador precisa de se aproximar e de se afastar”.
A primeira exposição individual de Ivan Campos ocorreu em 2000, na Galeria de Artes do Sesc, em Rio Branco. Em 2005, recebeu medalha de ouro no 1º Salão Hélio Melo de Artes Plásticas, promovido pela Associação de Artistas Plásticos do Acre (AAPA), com a obra Alicerces da Terra.
No mesmo ano, duas de suas obras foram selecionadas para o projeto Projéteis de Arte Contemporânea, da Rede Nacional de Artes Visuais – Redemergências, organizado pela Fundação Nacional de Artes (Funarte), no Rio de Janeiro.
Em 2012, participou do projeto Trajetórias – Artes Visuais, com exposição na Galeria Chico Silva, na Usina de Arte João Donato, em Rio Branco. Seis anos depois, recebeu a insígnia no Grau Cavaleiro do Quadro Ordinário da Ordem da Estrela do Acre, honraria concedida a personalidades que contribuíram para o desenvolvimento do estado.
Em 2024, foi selecionado para o 38º Panorama da Arte Brasileira, do MAM São Paulo, e participou da exposição Fullgás, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), no Rio de Janeiro. Em 2026, integrou a coletiva Eu Prefiro Ser, realizada no Solar dos Abacaxis, também no Rio de Janeiro.
A exposição na Almeida & Dale representa mais um marco na trajetória do artista acreano e amplia a presença de sua produção no circuito nacional de artes visuais.

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