ESPORTE
Afonso Alves: Um verdadeiro guerreiro do esporte acreano

Francisco Dandão
Nascido no bairro da Base, em Rio Branco, capital do estado do Acre, no dia 12 de setembro de 1956, o cidadão Afonso Alves da Silva viu surgir o seu profundo amor pelo esporte ainda quando criança. Primeiro como jogador de futebol, na condição de ponteiro direito do time infantil do Brasil do Buldogue. Depois como fundista profissional, em corridas de rua.
“Eu poderia ter sido um jogador de futebol de algum sucesso, mas cedo descobri que a minha maior vocação era na condição de corredor. Esse meu lado de fundista eu descobri quando representei o Colégio Meta, em 1973, numa prova local. Me saí tão bem que fui selecionado para representar o Acre nos Jogos Escolares Brasileiros, em Brasília”, explicou Afonso.
Mas antes de representar o Colégio Meta e, consequentemente, ser selecionado para os Jogos Escolares Brasileiros, Afonso teve uma primeira experiência. Foi em 1969, pouco antes de ele completar 13 anos, quando uma moradora do bairro da Base organizou uma corrida de rua para adolescentes. Ele chegou na frente dos concorrentes e começou a tomar gosto pela coisa.
A carreira de atleta de alto rendimento, porém, só foi começar mesmo em 1976, na época em que ele entrou para o Exército. Devidamente acompanhado pelos instrutores da corporação, Afonso melhorou significativamente a sua performance. Daí em diante, em todas as provas, tanto no Acre ou fora do estado, ele passou a ser sempre um dos favoritos.
Um dos maiores fundistas da história do Acre
Na década de 1980, Afonso Alves se tornou um dos maiores fundistas da história do Acre, inscrevendo seu nome ao lado de lendas desse esporte de rua como Floriano Sebastião da Costa, Ary Nauá Lustosa Leão, Paulo Cézar Queiroz, Fauzer Aiache, Dedé Miranda, Erádio Gomes da Silva e Áurio Azevedo. Inscreveu seu nome e virou exemplo para os mais jovens.
“Eu não sei, exatamente, quantas corridas ganhei. Foram muitas. Só a Corrida Coronel Sebastião Dantas eu ganhei seis vezes. Também ganhei oito vezes a Corrida Boina Verde e sete vezes a Corrida Cristiano Mendes. Participei quinze vezes da Corrida Archer Pinto, em Manaus, vencendo uma delas e chegando entre os três primeiros em várias outras”, garantiu Afonso.
Entronizado na condição de estrela maior das corridas de rua no Acre na década de 1980 e parte dos anos de 1990, Afonso foi várias vezes convidado para representar o estado em outras regiões do país. Dessa forma, além da Corrida Archer Pinto, em Manaus, ele competiu também, entre outras, na Corrida do Círio, em Belém, e na São Silvestre, em São Paulo.
“Na Corrida Internacional de São Silvestre, tradicionalmente realizada na virada do ano, em São Paulo, que eu participei treze vezes, minha melhor colocação foi um 64º lugar. Levando em conta que competem atletas do mundo inteiro, gente altamente preparada, e que eu jamais consegui largar no pelotão da frente, creio que me saí muito bem’, disse Afonso Alves.

A vida fora das pistas de corrida
Uma vez pendurado o tênis, por conta da idade, Afonso Alves resolveu investir na qualificação acadêmica. E assim, ele tratou de cursar uma graduação em Educação Física (licenciatura e bacharelado), na Universidade Federal do Acre (Ufac). Fora do estado, ele concluiu uma especialização em Treinamento Esportivo e um curso de Técnico de Atletismo nível A.




“Eu entrei no Andirá numa emergência, a convite do dirigente Marquinhos Gomes. É que ele se viu sozinho no comando do Morcego, quando o então presidente, um senhor que eu não lembro o nome, que era dono do Hotel Barbosa, renunciou. Aí eu assumi e permaneço até hoje, trabalhando em todos os setores, de presidente a roupeiro”, afirmou Afonso.

Por último, Afonso não se furtou em dar a sua opinião sobre o momento do futebol acreano e sobre a sua perspectiva de futuro. “O nosso futebol vive dias muito ruins com relação aos resultados e creio que só o poder público pode dar um jeito nisso. E quanto ao futuro, o meu maior sonho é que o Andirá volte à elite e possa ser campeão”, concluiu o dirigente.









