Valterlucio Campelo
Colunista Valterlucio reage a declarações do pré-candidato Thor Dantas, da esquerda, sobre cuidar do Estado: “Dr, o buraco é mais embaixo”

O QUE É DA PRÓPRIA NATUREZA
Para quem não teve, ou não tem, muito conhecimento ou intimidade com o mundo selvagem, especialmente com o convívio na floresta, é difícil entender que existe uma insistência natural, permanente e contínua, tentando manter e dar continuidade à sobrevivência das espécies.
As árvores, ao perceberem que vão morrer, reúnem todas as suas energias para produzir uma última carga exuberante de frutos, de certo modo acreditando que essas sementes poderão entrar em contato com o solo, germinar e, consequentemente, proporcionar o nascimento de outras árvores, garantindo a continuidade da espécie.
Há pouco tempo, deparei-me com um registro na internet de um tronco de jaqueira que morreu como árvore e do qual restava apenas uma pequena lasca da casca ainda verde. Nessa pequena fagulha de vida que ainda lhe restava, ela reuniu todas as suas forças, floresceu e gerou uma jaca. Tentei resgatar esse registro, mas não o encontrei. Aquela imagem tratava-se de um exemplo muito evidente do esforço que os vegetais realizam para a manutenção e continuidade da espécie.
É interessante evidenciar que as árvores cumprem essas tarefas — ou melhor, realizam suas funções de produzir frutos em abundância — durante toda a sua existência, não para elas próprias, não direcionadas a alguém, nem tampouco querendo saber quem irá usufruir ou até mesmo como esses frutos serão utilizados. Ou seja, apenas produzem porque é de sua natureza produzir frutos. Na verdade, não devemos esperar delas outra função; no entanto, devemos reconhecer que cumprem sua tarefa com muita competência.
Para não entrarmos em detalhes sobre outros seres vivos da natureza que, mutatis mutandis, cumprem suas funções mais ou menos da mesma forma, indagamos: qual seria a função que é da natureza do ser humano?
Certamente, com os recursos e as condições que nos foram concedidos, nosso diferencial — e, sem dúvida, a natureza de nossa tarefa — deveria ser a solidariedade, a convivência social em harmonia e, consequentemente, o respeito que deveríamos manter de forma permanente uns para com os outros.
Conservando esses valores, ou melhor, sem nos importarmos a quem ou como devemos nos empenhar para cumprir essas tarefas de “ser humano”, na essência da palavra, estaríamos apenas exercendo aquilo que deveria ser natural à nossa índole. Não havendo, nesse procedimento, espaço para o egoísmo nem para a soberba. Em sínteses: assim como a árvore frutifica porque essa é sua natureza, talvez a verdadeira natureza humana seja justamente disseminar e praticar a essência da relação social: a bondade, o respeito, a harmonia e a solidariedade.













