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El Niño pode trazer chuva acima da média a parte do Acre mesmo com 90% de chance de ficar muito forte

O El Niño já está configurado no Oceano Pacífico e tem 90% de probabilidade de alcançar intensidade muito forte entre setembro e novembro, mas seus efeitos no Acre podem produzir uma aparente contradição: mesmo sob influência do fenômeno, parte do estado pode receber chuva acima da média neste mês.
A informação aparece na terceira edição do Painel El Niño 2026-2027, divulgada por sete órgãos federais envolvidos no acompanhamento climático e hidrológico do país. O boletim reúne dados do Inmet, Inpe, ANA, Cemaden, Serviço Geológico do Brasil, Defesa Civil Nacional e Censipam.
Os modelos indicam praticamente 100% de probabilidade de permanência do El Niño pelo menos até o início de 2027. Para o trimestre setembro, outubro e novembro, a possibilidade de o fenômeno atingir a categoria muito forte chega a 90%.
No Acre, porém, El Niño não significa necessariamente ausência generalizada de chuva.
A previsão climática do Inmet para setembro indica possibilidade de volumes próximos ou acima da média em setores do oeste acreano. O comportamento é diferente daquele esperado em outras áreas da Região Norte, onde predominam projeções de precipitação abaixo do padrão histórico.
A diferença mostra uma característica importante do fenômeno: o El Niño modifica a circulação atmosférica em grande escala, mas seus efeitos não são iguais em todos os pontos de uma mesma região e podem variar de um mês para outro.
Outra peculiaridade é a temperatura. Mesmo nas áreas onde a chuva possa alcançar ou superar a média, a tendência é de calor acima dos valores climatológicos.
Projeções apresentadas anteriormente por técnicos no Acre já apontavam temperaturas entre 1°C e 1,5°C acima da média sob influência do El Niño. O Censipam também vinha projetando temperaturas superiores ao padrão histórico em toda a Amazônia Legal.
Isso significa que chuva acima da média em determinada área não implica necessariamente um mês mais fresco.
O comportamento dos rios amazônicos também não é uniforme. O Serviço Geológico do Brasil aponta que a estiagem de 2026 apresenta quadro hidrológico heterogêneo na Região Norte.
Enquanto as bacias dos rios Branco e Negro concentram maior preocupação, especialmente em Roraima, as calhas dos rios Amazonas, Solimões e Tapajós seguem em processo de vazante dentro da faixa histórica. No Madeira, o cenário é considerado relativamente mais favorável, embora a recuperação dos níveis dependa das chuvas esperadas para o início da estação chuvosa.
O Acre está justamente numa área em que essa transição entre o período seco e a retomada das chuvas precisa ser observada mês a mês.
Outra curiosidade do atual episódio está na velocidade com que o fenômeno ganhou intensidade. Em maio, os órgãos meteorológicos ainda acompanhavam as condições para o estabelecimento da fase positiva do El Niño. Em junho foi publicado o primeiro boletim especial de acompanhamento e, agora, no início de setembro, o fenômeno não apenas está confirmado como apresenta 90% de possibilidade de atingir intensidade muito forte no trimestre iniciado neste mês.
O acompanhamento também deverá avançar sobre o início de 2027. Os modelos climáticos apontam probabilidade muito elevada de permanência do El Niño até pelo menos os primeiros meses do próximo ano.
Para o Acre, portanto, o principal ponto dos novos prognósticos não é apenas a associação tradicional entre El Niño, calor e redução das chuvas na Amazônia. O estado pode apresentar situações diferentes simultaneamente: temperaturas superiores à média, áreas com precipitação abaixo do normal e setores, especialmente no oeste, onde setembro pode terminar com chuva próxima ou superior ao padrão histórico.











