POLÍCIA
Justiça anula condenação de réus envolvidos em sequestro e morte de pecuarista
Justiça absolve Gezilda e Ilan, mas mantém penas de Edmilson, Joabi e Rikelme

A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Acre decidiu anular a condenação de dois dos envolvidos no caso do sequestro e morte do pecuarista Edney Targa Ingá, ocorrido em outubro de 2022. Outros três réus que recorreram da sentença tiveram as penas mantidas pela Justiça.
A decisão foi tomada durante o julgamento de recursos apresentados pelas defesas dos condenados pelo crime de extorsão mediante sequestro qualificado pelo resultado morte.
Entre os absolvidos está o motorista de aplicativo Ilan Silva do Nascimento, condenado em 2024 a 24 anos de prisão. Segundo a denúncia, ele teria transportado três dos envolvidos de Rio Branco até a propriedade da vítima, localizada na zona rural de Acrelândia, recebendo cerca de mil reais pelo serviço.
Ao analisar o recurso, o relator do processo, desembargador Francisco Djalma, entendeu que o pagamento levantava suspeitas, mas destacou que a prova apresentada não era suficiente para comprovar a participação consciente do motorista no crime.
Outra absolvida foi Gezilda Lima Fraga, que também havia sido condenada a 24 anos de prisão. Ela foi apontada pela acusação como responsável por receber transferências bancárias realizadas da conta da vítima e por manter contato entre os criminosos e familiares do pecuarista.
No entanto, ao reexaminar o caso, a Câmara Criminal concluiu que as provas não demonstraram de forma suficiente que Gezilda tenha participado voluntariamente da prática criminosa. A defesa alegou que os valores recebidos teriam sido enviados pelo então marido dela, Matheus Oliveira do Nascimento, réu confesso e condenado a 32 anos e 4 meses de prisão.
Os demais réus que recorreram tiveram os pedidos negados pela Justiça. Edmilson Vieira Mendonça, apontado como mentor intelectual do crime, teve mantida a pena de 43 anos e 5 meses de prisão.
Joabi Santos da Silva Pinto, acusado de fazer a vigilância da vítima no cativeiro, continuará cumprindo pena de 27 anos. Já Rikelme da Silva, de 24 anos, teve mantida a condenação por atuar como intermediário na contratação dos envolvidos e por movimentar valores financeiros da conta da vítima.
O pecuarista Edney Targa Ingá, morador da zona rural de Acrelândia, foi sequestrado na noite do dia 2 de outubro de 2022. Segundo as investigações, ele foi levado para um cativeiro em uma residência localizada na Rua Mâncio Lima, no Bairro da Paz, em Rio Branco.
No local, a vítima foi assassinada e teve o corpo jogado dentro de um poço. Dias depois, o cadáver foi encontrado pelas autoridades.
Também foram condenados pelo crime César Augusto Gomes de Souza, sentenciado a 39 anos e 2 meses de prisão, e Matheus Oliveira do Nascimento, condenado a 32 anos e 4 meses.










