POLÍCIA
Pesquisa do Senado revela que 38% das mulheres com deficiência já sofreram violência doméstica no Brasil
Uma pesquisa nacional divulgada pelo Instituto DataSenado em setembro de 2026 revela que 38% das mulheres brasileiras com deficiência já sofreram violência doméstica ou familiar praticada por um homem. O percentual é 52% superior ao registrado entre mulheres sem deficiência, grupo em que 25% relataram agressões. A estimativa é de aproximadamente 4,4 milhões de vítimas com deficiência em todo o país.
O levantamento integra a 11ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, realizada pelo DataSenado em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência. Foram entrevistadas 21.641 mulheres, entre 16 de maio e 8 de julho de 2025, em todos os estados brasileiros, incluindo o Acre, e no Distrito Federal.
Entre as mulheres com deficiência que sofreram violência doméstica, 88% relataram agressões psicológicas, 82% violência moral e 80% violência física. A violência patrimonial atingiu 46% das vítimas, enquanto 39% sofreram violência sexual.
A diferença é particularmente expressiva na violência sexual. Entre as mulheres sem deficiência que sofreram agressões, a proporção foi de 28%, contra 39% entre aquelas com deficiência, uma diferença de 11 pontos percentuais.
O estudo também identificou que 65% dos agressores eram maridos ou companheiros e outros 8% eram ex-parceiros. Em 36% dos casos, a primeira agressão ocorreu quando a vítima tinha até 19 anos.
Outro dado revela a duração das agressões. Entre as mulheres com deficiência que sofreram violência nos 12 meses anteriores à pesquisa, 69% afirmaram que a situação persistia havia mais de um ano. Entre aquelas sem deficiência, o percentual foi de 54%.
As consequências ultrapassam os episódios de agressão. Segundo o DataSenado, 76% das vítimas com deficiência relataram prejuízos na rotina diária, 72% nas relações sociais, 50% na vida profissional e 45% nos estudos.
A pesquisa também revela dificuldades no acesso aos instrumentos de proteção. Entre as mulheres com deficiência, 18% desconhecem completamente a Lei Maria da Penha, percentual duas vezes maior que os 9% registrados entre mulheres sem deficiência.
O desconhecimento das medidas protetivas alcança 23% das entrevistadas com deficiência, contra 15% entre as demais mulheres.
A dependência econômica aparece como outro fator de vulnerabilidade. O levantamento mostra que 78% das mulheres com deficiência não exercem trabalho remunerado, enquanto 48% afirmam não conseguir se sustentar com o próprio dinheiro.
Além disso, 80% vivem em famílias com renda de até dois salários mínimos, proporção superior aos 62% observados entre mulheres sem deficiência.
O relatório não apresenta resultados individualizados do Acre. Portanto, os percentuais nacionais não podem ser atribuídos diretamente às mulheres acreanas. A pesquisa utilizou amostragem probabilística, com nível de confiança de 95% e margens de erro específicas para cada estimativa.
Fonte: Instituto DataSenado e Observatório da Mulher contra a Violência, Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher – Mulheres com Deficiência, setembro de 2026.












