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Acre: por que o estado abre todas as listas oficiais do Brasil e guarda uma das histórias mais singulares do país

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Em qualquer relação oficial de estados brasileiros, seja em documentos do governo federal, publicações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ou materiais didáticos, o Acre aparece sempre em primeiro lugar. O motivo é simples: é a primeira unidade da Federação em ordem alfabética. Essa posição garante ao estado uma presença constante em levantamentos nacionais e o coloca, simbolicamente, como a porta de entrada para a diversidade territorial brasileira.

O destaque nas listas oficiais contrasta com a realidade vivida durante boa parte da história acreana. Isolado geograficamente por décadas, o estado passou a ocupar posição estratégica na Amazônia brasileira e hoje desempenha papel importante na preservação ambiental, na integração da faixa de fronteira e na soberania nacional.

Localizado no extremo oeste do país, o Acre possui área territorial de 164.123,74 quilômetros quadrados e faz parte da Região Norte. O estado faz divisa com Amazonas e Rondônia e compartilha mais de 2 mil quilômetros de fronteiras internacionais com Peru e Bolívia, formando uma das áreas mais estratégicas da Pan-Amazônia.

É também no Acre que está o ponto mais ocidental do território brasileiro. A nascente do Rio Moa, no município de Mâncio Lima, representa a porção continental mais distante do Oceano Atlântico. Em razão dessa localização, o estado adota o fuso horário UTC-5, duas horas a menos que o horário oficial de Brasília.

Segundo as estimativas mais recentes do IBGE, o Acre tem cerca de 918 mil habitantes distribuídos em 22 municípios. Quase metade da população vive em Rio Branco, principal centro político, econômico e administrativo do estado. Cruzeiro do Sul, Sena Madureira, Tarauacá e Feijó também figuram entre os municípios de maior relevância regional.

A floresta é um dos maiores patrimônios acreanos. Aproximadamente 84% do território permanece coberto por vegetação nativa, colocando o estado entre os mais preservados da Amazônia Legal. Essa característica moldou sua economia, historicamente baseada no extrativismo sustentável, com destaque para a produção de borracha, castanha-do-brasil e outros produtos da sociobiodiversidade.

Outro diferencial do Acre está em seu patrimônio arqueológico. O estado abriga centenas de geoglifos — grandes figuras geométricas escavadas no solo por povos pré-colombianos há mais de dois mil anos. As estruturas são reconhecidas como patrimônio arqueológico brasileiro e revelam que a ocupação humana da Amazônia foi muito mais complexa do que se imaginava até poucas décadas atrás.

A história acreana também foge ao padrão dos demais estados brasileiros. Até o início do século XX, o território pertencia oficialmente à Bolívia. Com a chegada de milhares de seringueiros brasileiros durante o Ciclo da Borracha e os conflitos da Revolução Acreana, liderada por Plácido de Castro, iniciou-se uma intensa negociação diplomática conduzida pelo então ministro das Relações Exteriores, Barão do Rio Branco.

O impasse foi encerrado em 17 de novembro de 1903, com a assinatura do Tratado de Petrópolis. Pelo acordo, o Brasil incorporou definitivamente o território acreano mediante o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas à Bolívia, além de ajustes territoriais e do compromisso de construir a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. O episódio transformou o Acre na única unidade da Federação incorporada ao território brasileiro por meio de um tratado internacional de compra, fato que permanece como um dos principais marcos de sua identidade histórica.

Fontes: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Instituto de Terras do Acre (Iteracre); Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan); Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty); Tratado de Petrópolis (1903).

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