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Após 48 anos, Assembléia Legislativa volta a ter legislatura sem nenhuma mulher

Tácio Júnior
O resultado das urnas selou um retrocesso doloroso no Acre. Sem a reeleição das deputadas Dra. Michelle Melo, Maria Antônia e Antônia Sales, nenhuma mulher ocupará uma vaga na Assembleia Legislativa a partir do próximo ano. Com isso, todas as 24 cadeiras do parlamento passam a ser ocupadas exclusivamente por homens.
É preciso voltar a 1978 para achar um parlamento sem mulheres. Desde a posse de Iolanda Fleming, Mirian Pascoal e Maria Lúcia Araújo, em 1979, o estado mantinha bancada feminina de forma ininterrupta. Foram quase cinco décadas de vozes que agora se calam na tribuna.
Esse silêncio pesa ainda mais em um estado campeão em índices de feminicídio e violência contra a mulher. Criar leis de proteção exige a vivência, a dor e o olhar de quem sente na pele esse perigo diário.
Sem parlamentares femininas na Casa do Povo, o Acre deixa metade de sua gente sem voz direta. O parlamento perde em humanidade, e a sociedade, o direito de ser representada por inteiro.












