POLÍTICA
Mailza pode começar eventual governo com até 16 dos 24 deputados da Aleac; Alan teria núcleo inicial de seis
A nova composição da Assembleia Legislativa do Acre oferece cenários bastante diferentes para Mailza Assis e Alan Rick caso um dos dois seja eleito governador no segundo turno. Considerando os partidos que estiveram formalmente em cada coligação no primeiro turno, Mailza tem um campo potencial de 16 dos 24 deputados estaduais eleitos, enquanto Alan parte de seis.
A diferença é significativa porque a maioria absoluta da Aleac corresponde a 13 deputados. Na fotografia partidária deixada pelas urnas, Mailza poderia começar um eventual governo com 66,7% das cadeiras e três votos acima dessa linha. Alan teria inicialmente 25% da Assembleia e precisaria atrair pelo menos sete parlamentares de outros partidos para alcançar os 13 votos.
A maior bancada da próxima legislatura será justamente a do PP, partido de Mailza, com cinco deputados. Foram eleitos Nicolau Júnior, Clodoaldo Rodrigues, André da Droga Vale, Manoel Moraes e Samir Bestene.
O União Brasil, que também integrou a coligação de Mailza, conquistou quatro cadeiras, com Fagner Calegario, Adailton Cruz, Tio Pablo Bregense e Afonso Fernandes.
O PL conseguiu outras quatro vagas, com Chiquinho do Duda, Arlenilson Cunha, Raimundo Neném e Gláucio Pedrosa. Pelo MDB foram eleitos Marcus Alexandre e Tanízio Sá, enquanto o PDT conquistou uma cadeira com Tchê.
Somadas, essas legendas chegam às 16 cadeiras vinculadas ao conjunto partidário que sustentou Mailza no primeiro turno.
Do lado de Alan Rick, o Republicanos elegeu três deputados: Eduardo Ribeiro, Gene Diniz e Tadeu Hassem. O PSD conseguiu duas vagas, com Jailson Amorim e Antonio Pedro, enquanto o Novo elegeu Emerson Jarude. São seis deputados vinculados às legendas que integraram a coligação de Alan.
Outras duas cadeiras ficaram fora desses dois blocos eleitorais: Edvaldo Magalhães, do PCdoB, e Leôncio Castro, do PSDB. Dependendo dos posicionamentos políticos adotados depois do segundo turno, esses dois votos também podem entrar na formação da base ou da oposição ao próximo governo.
O mapa partidário da nova Aleac ficará dividido entre PP, com cinco cadeiras; União Brasil e PL, com quatro cada; Republicanos, com três; MDB e PSD, com duas cada; e PDT, Novo, PCdoB e PSDB, com uma cadeira cada.
A vantagem numérica inicial de Mailza aparece ainda mais claramente quando se simula a formação da maioria. Se conseguir manter os 16 deputados dos partidos de sua coligação, ela terá dois terços das 24 cadeiras. Poderia perder três integrantes desse conjunto e ainda permanecer com os 13 votos necessários para uma maioria absoluta.
Para Alan, a conta é inversa. Seus seis deputados representam apenas metade dos 13 necessários para ultrapassar a linha da maioria. Caso seja eleito governador, precisará buscar pelo menos sete parlamentares entre os 18 eleitos por legendas que não fizeram parte de sua coligação.
Para alcançar 16 deputados, equivalentes a dois terços da Assembleia, Alan precisaria incorporar dez parlamentares ao grupo inicial de seis.
A matemática partidária, porém, não significa que os 16 deputados ligados à coligação de Mailza formarão automaticamente uma bancada governista, nem que os seis vinculados a Alan permanecerão necessariamente juntos durante toda a legislatura. Na Aleac, como em outras casas legislativas, alianças eleitorais e bancadas de governo não são necessariamente a mesma coisa.
Movimentos ocorridos antes mesmo da eleição mostram essa diferença. Eduardo Ribeiro e Tadeu Hassem, por exemplo, deixaram a base governista durante o processo político que antecedeu a campanha e se aproximaram do projeto de Alan Rick.
No sentido contrário, Tanízio Sá, reeleito pelo MDB com 12.023 votos, já reafirmou apoio a Mailza no segundo turno. “Vou colocar minha liderança, minha equipe e minha base à disposição desse projeto”, declarou o parlamentar nesta segunda-feira.
Por isso, a fotografia das urnas indica principalmente o tamanho do terreno disponível para cada candidato negociar a partir de 2027.
Mailza teria como ponto de partida um bloco partidário potencial de 16 deputados e precisaria, sobretudo, evitar perdas dentro dessa aliança. Alan começaria com seis e, em caso de vitória, teria como uma das primeiras tarefas políticas do governo ampliar sua bancada em pelo menos sete cadeiras.
Em números, portanto, o próximo governador encontrará uma Aleac em que 13 votos representam maioria absoluta e 16 correspondem a dois terços da Casa. Mailza chega ao segundo turno com partidos que elegeram exatamente 16 deputados. Alan, com legendas que conquistaram seis. A diferença entre os dois campos, antes das negociações que inevitavelmente virão depois da eleição, é de dez cadeiras.











