POLÍTICA
Petecão deixa o Senado após 16 anos e vira peça política do segundo turno no Acre
Sérgio Petecão encerra em fevereiro de 2027 uma trajetória de 32 anos consecutivos em mandatos eletivos, 16 deles no Senado. Derrotado na tentativa de conquistar o terceiro mandato de senador, ele saiu das urnas com 90.849 votos, 10,4% dos votos válidos destinados ao Senado, e agora entra em uma nova fase da carreira política: fora da disputa eleitoral, mas ainda com participação no segundo turno entre Mailza Assis (PP) e Alan Rick (Republicanos).
A pergunta que surge depois do primeiro turno é direta: quem Petecão pode apoiar?
A trajetória recente oferece uma pista. Durante a campanha, Petecão aproximou-se publicamente de Alan Rick e declarou apoio ao senador na disputa pelo governo. Em agosto, afirmou que havia conversado de maneira “aberta, sincera e franca” com Alan e disse considerar o candidato preparado para governar o Acre.
Meses antes, Petecão já havia tornado pública a aproximação. Disse que conversava mais com Alan do que com Mailza e revelou que o então pré-candidato do Republicanos o havia procurado diversas vezes.
Até a manhã desta terça-feira, 6, não havia anúncio público de mudança de posição de Petecão para o segundo turno. Dessa forma, seu último posicionamento conhecido na eleição aponta para a manutenção do apoio a Alan Rick.
UMA CARREIRA INICIADA NA ASSEMBLEIA
Sérgio de Oliveira Cunha nasceu em Rio Branco em 20 de abril de 1960. Empresário e técnico em contabilidade, entrou na política partidária pelo PMN e conquistou seu primeiro mandato de deputado estadual em 1994.
Foram três mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa, entre 1995 e 2006. Nesse período, consolidou o apelido Petecão como sua identidade política.
Depois de 12 anos na Aleac, avançou para Brasília. Foi eleito deputado federal em 2006 e assumiu o mandato em fevereiro de 2007. Na Câmara, chegou a liderar o PMN e participou de blocos parlamentares formados por diferentes legendas.
A passagem pela Câmara durou quatro anos. Em 2010, Petecão disputou o Senado e conquistou uma das duas vagas destinadas ao Acre. Assumiu em fevereiro de 2011.
Oito anos depois, em 2018, conseguiu a reeleição e iniciou o segundo mandato consecutivo de senador, correspondente ao período de 2019 a 2027.
Quando deixar o Senado, serão 16 anos consecutivos na Casa. Somados aos 12 anos como deputado estadual e aos quatro anos como deputado federal, Petecão terá completado 32 anos seguidos exercendo mandatos eletivos.
DAS ALIANÇAS DA FRENTE POPULAR AO PSD
A trajetória partidária de Petecão também atravessou diferentes arranjos da política acreana. A biografia oficial do Senado registra sua filiação ao PMN desde 1993, período em que chegou a presidir a legenda em Rio Branco e integrou o Conselho Político da Frente Popular do Acre.
Posteriormente, mudou de campo político e de partido. Atualmente está no PSD e permanece senador até o encerramento do mandato, em fevereiro de 2027.
Petecão também ocupa espaços institucionais no Congresso. É presidente do Grupo Parlamentar Brasil-Peru, tendo como vice-presidente o deputado federal Zezinho Barbary (PP).
90,8 MIL VOTOS E O FIM DE UMA SEQUÊNCIA
A eleição de 2026 interrompeu uma sequência de mais de três décadas de mandatos. Petecão recebeu 90.849 votos e terminou com 10,4% dos votos válidos para o Senado.
Márcio Bittar (PL) foi eleito com 223.972 votos, 25,6%, enquanto Mara Rocha (Republicanos) conquistou a segunda vaga com 157.104 votos, 18%.
Gladson Cameli (PP) recebeu 145.244 votos, Jorge Viana (PT), 124.063, Eduardo Velloso (Solidariedade), 95.128, e Petecão, 90.849. A diferença entre Eduardo Velloso e Petecão foi de apenas 4.279 votos.
Apesar do resultado estadual, Petecão manteve bases importantes no interior. Ele foi o candidato ao Senado mais votado em Jordão, Marechal Thaumaturgo, Porto Walter e Rodrigues Alves.
O resultado também mostrou o peso de Rio Branco para o desempenho dos candidatos. A votação obtida por Petecão na capital ficou distante daquela registrada pelos principais concorrentes, reduzindo o impacto das vitórias alcançadas em municípios do interior.
QUEM PETECÃO PODE APOIAR?
A resposta mais sustentada pelo histórico da própria campanha é Alan Rick.
Petecão e Alan não chegaram ao segundo turno como adversários políticos. Ao contrário, o senador do PSD declarou apoio ao candidato do Republicanos ainda durante o primeiro turno e manteve interlocução política e institucional com ele ao longo do mandato no Senado.
Isso não significa transferência automática dos 90.849 votos recebidos por Petecão. O eleitor que votou para senador não necessariamente seguirá sua orientação na eleição para governador. O peso político de uma eventual participação na campanha está também na estrutura construída por Petecão ao longo de três décadas e nas bases municipais onde ainda demonstrou força eleitoral.
Do outro lado, Mailza começou o segundo turno recebendo manifestações de lideranças que estavam fora de sua campanha. Tião Bocalom, terceiro colocado na eleição para governador, indicou que seguirá o prefeito Alysson Bestene no apoio à governadora. Gladson Cameli também anunciou que participará da campanha de Mailza.
Petecão chega a esse rearranjo numa situação diferente. Sua última posição pública conhecida já o colocava ao lado de Alan Rick.
Depois de 32 anos consecutivos conquistando mandatos, Petecão perdeu a eleição que poderia mantê-lo no Senado até 2035. Continua senador até fevereiro e permanece com uma estrutura política espalhada por municípios do Acre. O segundo turno poderá mostrar também qual será o papel dessa estrutura na primeira eleição em mais de três décadas na qual Petecão termina as urnas sem um novo mandato assegurado.











