RAIMUNDO FERREIRA
A ‘arte’ de saber escutar é o tema da boa coluna desta segunda, 8, do professor Raimundo Ferreira de Souza

SABER ESCUTAR
Ao nosso vê, antes de qualquer avaliação psicológica, se observarmos as atitudes dos seres humanos, especialmente exercitando as relações sociais, facilmente podemos identificar as principais características de suas personalidades. Por exemplo, as atitudes e comportamentos nos atos de ouvir e de se manifestar em ambientes de contatos sociais. Ou seja, se somos ouvintes atenciosos e obedientes, ou se nos comportamos como indivíduos dominadores e falastrões. Na obra A Arte de Viver, Epicteto, dedica um capítulo à questão do falar somente o necessário e quando for necessário e falar apenas com uma boa finalidade. Conforme afirma aquele jargão popular: perdeu uma boa oportunidade para ficar calado, é exatamente disso que o filósofo está falando e consequentemente, sinalizando sobre a questão do saber ouvir. Na verdade, esse capítulo trata sobre o bom uso das palavras e que se constitui no princípio básico para a apresentação autêntica da personalidade, pois, a partir do momento que a pessoa vai aprimorando seu discurso, vai alimentando a expectativa de quem está ouvindo e também alimentando a sua própria expectativa, e as outras pessoas podem lhe respeitar mais e honrar seu caráter. Segundo Epicteto, antes de qualquer posicionamento devemos pensar bem antes de falar, para ter a certeza de que estamos nos manifestando por uma boa finalidade. Mesmo porque, o falatório vazio é um desrespeito aos outros. Devemos tentar identificar qual é o momento que devemos ficar em silêncio, ou seja, não sendo imprudente a ponto de substituir o silêncio sagrado por palavras vãs. Outro aspecto que o filósofo chama a atenção, e que acontece frequentemente nas rodas de conversa, é a exposição exagerada e desmedida das intimidades de quem está tagarelando, o alerta é que esse tipo de comportamento é um desrespeito a si próprio, e quando não se respeita nem a si mesmo, certamente não vamos respeitar os outros, e quando o falatório atinge esse estágio, o que vai resultar são as conversas fúteis, sem qualquer utilidade, pois, os tagarelas são desmedidos e geralmente, nestas ocasiões têm a mania de dá vazão a todo acontecimento e sensação que lhe aconteceu, e isso pode ser entendido como um vício e um mau hábito. Pessoas que agem assim, costumam despejar todo e qualquer tipo conteúdo, sem se importar com as consequências, ou seja, sao pessoas que contaminam e profanam o ambiente, alimentando a atenção de todos com coisas inúteis e banais, que estão dentro delas, mas que para os outros pode não ter qualquer importância. Na visão de Epicteto, agindo assim, as pessoas estão impedindo que boas conversas, conduzindo boas ideais não aflorem no ambiente e assim sendo, aconselha-se que, dentro do possível, mantenha-se o silêncio e observe o que os interlocutores estão necessitando como resposta precisa. A troca de conversa frívola, veiculando coisas banais, vão criando um ambiente de inércia no grupo e quando alguém, que talvez não comungue com esse tipo de conteúdo, tente introduzir um tema mais sério e importante, geralmente as pessoas poderão até sentir dificuldades para pensar e mudar de ritmo da conversa, visto que, as banalidades são temáticas de fácil penetração em qualquer grupo. Platão já dizia, que um diálogo é muito raro, pois, as pessoas que não têm sensatez e equilíbrio, não sabem dialogar, mas sim, discutir e facilmente podem cair na banalidade, na insensatez e as vezes até na violência. Na verdade, conversa fiada é uma coisa sedutora, no entanto, não se deixe envolver por ela, pois, existem outras maneiras para se divertir através do diálogo, porém buscando manter, acima de tudo, um nível mais elevado e que seja útil para todos. O autor chama a atenção ainda para excesso de palpites, que geralmente acontece na maioria das rodas de conversa, onde todos se alvoram a especialistas e passam a apresentar soluções para qualquer assunto. E até passam a ditar receitas prontas de bom comportamento para quem julga ser diferente da sua maneira de ver. Esse comportamento configura a famosa prática de ‘jogar conversa fora’, mas que na verdade, o que estão fazendo é jogar conversa dentro, ou seja, dentro do convivio de cada um dos participantes da conversa, em síntese estão contaminando mutuamente todo grupo, e o autor conclui afirmando que, se damos atenção a esse tipo de conversa, nós nos tornamos pessoas especialistas e legítimas representantes da banalidade.












