POLÍCIA
Acusados de sequestrar e tentar executar homem a mando do “Tribunal do Crime” estão sendo julgados

Três dos quatro denunciados pela tentativa de homicídio contra Erineldo de Almeida Araújo, estão sendo julgados nesta quinta-feira (25), em Rio Branco.
O julgamento ocorre, na 2ª Vara do Tribunal do Júri e Auditoria Militar, no Fórum Criminal da capital.
Estão no banco dos réus Edirlan dos Santos Lima, conhecido como “Negueba”, Adão Oliveira dos Santos, apelidado de “Diabão”, e Feliciano da Silva Monteiro.
Eles respondem por participação no sequestro, cárcere privado e tentativa de execução da vítima.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, o crime ocorreu no dia 2 de janeiro de 2024. Erineldo foi abordado por integrantes de uma organização criminosa na região do bairro Santa Inês e levado para uma área do Recanto dos Buritis.,

No local, segundo as investigações, a vítima ficou em cárcere privado e teve a morte decretada pelo chamado “Tribunal do Crime”, mecanismo utilizado por facções para julgar e executar pessoas consideradas inimigas ou que descumprem regras impostas pelos grupos criminosos.
Ainda conforme o processo, Erineldo foi atingido por um tiro no rosto durante a tentativa de execução.
Mesmo gravemente ferido, conseguiu escapar dos criminosos e pedir ajuda a moradores da região.
Ele foi socorrido e encaminhado ao Pronto-Socorro de Rio Branco, onde sobreviveu aos ferimentos.
A acusação sustenta que Feliciano da Silva Monteiro e Adão Oliveira dos Santos participaram diretamente do sequestro e da tentativa de assassinato.
Adão, inclusive, teria sido o responsável pelo disparo que atingiu a vítima.
Já Edirlan dos Santos Lima, o “Negueba”, teria autorizado a execução por telefone. Segundo a denúncia, a ordem final para matar Erineldo foi dada durante uma videochamada por Laurislei Fideles Mariano, conhecido como “Arrascaeta”, que estava no Rio de Janeiro no momento do crime.
O processo de Laurislei foi desmembrado e, por isso, ele não será julgado nesta sessão do Tribunal do Júri.
As investigações apontam que a tentativa de execução estaria relacionada à disputa entre organizações criminosas que atuam em Rio Branco.
Os denunciados possuem antecedentes criminais e já foram alvo de outras investigações.
Edirlan dos Santos Lima cumpre condenação de 42 anos de prisão por homicídio.
Adão Oliveira dos Santos chegou a responder pelo assassinato do músico Raimundo do Cavaco, mas foi absolvido pelo Tribunal do Júri.
Já Laurislei Fideles Mariano foi preso em uma comunidade do Rio de Janeiro e aparece em fotografias obtidas pela polícia ao lado de homens armados com fuzis. Feliciano da Silva Monteiro também é investigado por homicídio e participação em organização criminosa.
A expectativa é de que o julgamento seja longo e marcado por debates intensos entre acusação e defesa, em razão da gravidade dos fatos e da repercussão do caso no meio policial e judicial acreano.
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