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‘Chiquinho do Duda’, o herdeiro dos Couto que quer uma cadeira na Aleac com objetivo de levar o agro ainda mais para o centro do debate

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Jorge Natal, especial para o AcreNews

Quando Duarte José do Couto Neto, acompanhado de seu pai e de um tio, deixou o estado de São Paulo, ele dizia ter embarcado em uma aventura de sonhos. Com os recursos herdados da venda das propriedades da família, Duda, como gostava de ser chamado, largou o curso de Medicina no quarto período e se embrenhou nas florestas acreanas.

Era a década 1970, período em que a extração da borracha perdia valor, culminando na desativação dos seringais — o que arruinou a principal base econômica do Acre. Mesmo assim, o nosso personagem se tornou um bem-sucedido seringalista.

Sob a política “integrar para não entregar”, do regime militar, o governo do Acre fez campanhas publicitárias para atrair empresários do Centro-Sul do país. O objetivo era criar um novo modelo econômico no estado, até então focado no extrativismo. A chegada desses desbravadores, bem como a construção e o asfaltamento das BRs 364 e 317, redefiniu a matriz econômica do Estado.

Os Couto se instalaram nos arredores de Rio Branco, na BR 364 e em Sena Madureira. Quando as propriedades foram desapropriadas, apenas Duda ficou no Acre. Casou-se com a acreana de Tarauacá Francisca das Graças Prado Couto e tiveram três filhos: Duarte Júnior (falecido), Maria Tereza e Chiquinho.

Duda tornou-se proprietário de mais de 300 mil hectares, que formam o Complexo do Seringal Canadá, na região do Alto Envira, no município de Feijó. A família tem título definitivo da área, datado de 1891, tudo original e com selos da época.

O empresário era formado em Economia, fundou o Prona no Acre e, quando foi candidato a governador, estava acompanhado pelo candidato à presidência da República, o ilustre acreano Enéas Carneiro. Infelizmente ambos morreram: Enéias, em 2007, com 68 anos, acometido por leucemia e, em 2022, foi a vez de Duda, aos 71 anos, vítima de complicações da Covid.

Herdeiro de todo esse legado, Francisco Humberto Couto, de 44 anos, o ‘Chiquinho do Duda’. Empreendedor que defende oportunidades de trabalhos, os valores cristãos e a família, ele tomou uma decisão para realizar o sonho de seu pai, entrar para a política. Chiquinho é pré-candidato a deputado estadual pelo PL. Gentil, recebeu a nossa reportagem para falar um montão de coisas, especialmente sobre acreanidade, economia, responsabilidade social, empreendedorismo e política.
A seguir nossa entrevista:

Acre News – Como o senhor avalia a chegada do agronegócio no Acre? Já podemos falar que somos a última fronteira agrícola do país?

Chiquinho – Cerca de 16% do nosso território está desmatado. A gente pode potencializar muito a nossa produção. As nossas principais aliadas são a ciência e a tecnologia. Precisamos usufruir da terra até limite que a lei permite, sem contar que temos a alternativa do café, que é uma cultura que, além de gerar riqueza e empregos, ocupa pouco espaço e também é uma espécie de reflorestamento. O grande desafio dos acreanos é a geração de empregos.

Acre News – Esse é um dos motivos do senhor ser pré-candidato a deputado estadual?

Chiquinho – Eu entendo que a política é forma das pessoas de bem contribuírem com a sociedade. Nessa pré-candidatura, estou dizendo às pessoas aquilo que elas já sabem. Tem povo melhor do que o acreano? Tem solo melhor do que o nosso? Tem ciclo de sol e chuvas melhor do que o da nossa região? O Acre é um Nordeste sem seca e um Sul sem geada. Além disso, temos uma história bonita como, por exemplo, sermos o único estado da federação que lutou para ser brasileiro. Eu sou candidato para lutar pelo desenvolvimento do meu estado.

Acre News – Como o Acre pode se desenvolver?

Chiquinho – Eu acredito que seja na junção de várias atividades. A produção de soja e milho nessa região plana (leste do estado); a produção de suínos, aves, peixes e suas agroindústrias na região do Alto Acre; o fortalecimento e expansão de pecuária intensiva; a produção de farinha e seus derivados no Vale do Juruá; o turismo na Serra do Divisor e nos rios Croa e Gregório; a sensação do momento e que está acontecendo em todos os municípios, que é o café; a industrialização da nossa fruticultura de um modo geral; e a exploração da nossa bioeconomia, principalmente para abastecer as indústrias de fármacos e cosméticos. Enfim, temos que agregar valor, industrializando todos os nossos produtos vocacionais.

Acre News – Como o senhor avalia a “guerra ideológica” na política brasileira?

Chiquinho – Eu me lembro da época em que meu pai fundou o Prona no Acre. Quando o Dr. Enéas vinha ao Acre, ilustre acreano do bairro Seis de Agosto, ele se hospedava na nossa casa. Isso é motivo de muito orgulho para a nossa família. Essa polarização (esquerda e direita) é desnecessária porque o país e o povo são um só. Temos que unir as pessoas. Jamais colocá-las umas contra as outras. A única pessoa de direita que tinha no Acre era o meu pai.

Acre News – O senhor vem de uma família de empreendedores. Por que entrar para a vida pública?

Chiquinho – Eu estou saindo da minha zona de conforto. Aqui, no meu escritório, tomando conta dos negócios, a minha vida está tranquila. A minha candidatura é a realização de um sonho, pois, quando eu era criança, mais precisamente em 1994, fiquei conhecido como o filho do homem que queria soltar uma bomba (risos). A forma mais apropriada e abrangente de melhorar a vida das pessoas é política. Eu tenho esperança e o Acre tem jeito. Acredito na força da nossa gente, no trabalho e que podemos nos desenvolver, ou seja, alcançarmos qualidade de vida e felicidade.

Acre News – Muitos acreanos estão indo embora do estado. Comente sobre isso.

Chiquinho – O que o jovem almeja para a sua vida? O crescimento profissional e a prosperidade são desejos inerentes a todos nós. Precisamos criar oportunidades para quem está entrando no mercado de trabalho. Embora estejamos avançando, essa migração de acreanos para outros estados é uma consequência da nossa fragilizada economia. O momento não é de procurar os culpados, mas acharmos soluções para que a nossa economia seja pujante. Não é para mudarmos do Acre, mas para mudar o Acre.

Acre News – O que é espírito empreendedor?

Chiquinho – É um conjunto de habilidades e atitudes voltado para a identificação de oportunidades, a inovação e a resolução de problemas. Não se limita à criação de um novo negócio, mas representa uma mentalidade proativa para tirar ideias do papel e transformar em cenários exequíveis. Ser empreendedor no Brasil não é tão fácil e, por isso, são necessárias políticas de estado, desburocratizando as máquinas estatais. Eu acredito muito que essa estrada de ferro será um divisor de águas para a nossa economia. A localização estratégica e a produção agroindustrial do Acre nos colocarão no mapa do desenvolvimento.

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