POLÍTICA
Artigo: Quem ganhou os municípios não pode perder a política

As eleições municipais deixaram uma mensagem clara: o grupo político liderado pelo ex-governador Gladson Cameli e agora a governadora Mailza Assis saiu fortalecido nas urnas, com o Partido Progressistas consolidando presença em grande parte dos municípios acreanos. Entretanto, a política é dinâmica e, muitas vezes, o patrimônio conquistado nas eleições precisa ser preservado diariamente por meio do diálogo, da presença e da articulação permanente.
O desafio que se apresenta agora é transformar força municipal em competitividade estadual. As pesquisas divulgadas até o momento apontam um cenário de dificuldades para a pré-candidatura governista, enquanto o senador Alan Rick aparece em posição de destaque na disputa. Esse contexto exige reflexão e reposicionamento estratégico.
Os movimentos recentes da cena política acreana acenderam um sinal de atenção. A aproximação do prefeito de Cruzeiro do Sul com o projeto liderado por Alan Rick e o desligamento de figuras importantes da administração demonstram que alianças políticas precisam ser constantemente cultivadas. Em política, espaços sem interlocução tendem a ser ocupados por novas convergências.
É justamente nesse ponto que surge uma questão central: quem venceu nos municípios não pode permitir que o capital político acumulado se fragmente por falta de coordenação. Assessores exercem papel relevante, mas determinadas negociações dependem da presença da principal liderança do projeto. Prefeitos, vereadores, deputados e lideranças comunitárias desejam sentir proximidade, participação e reconhecimento.
A Governadora Mailza Assis construiu sua imagem pública baseada na simplicidade, na serenidade e no diálogo. São características valorizadas em tempos de polarização e conflitos permanentes. Sua trajetória é marcada pela disposição de ouvir, acolher demandas e governar com sensibilidade social. No entanto, a política eleitoral exige mais do que boas intenções. Exige liderança ativa, capacidade de reunir aliados, consolidar compromissos e fortalecer pontes. O momento pede uma governadora ainda mais presente na articulação política, conduzindo pessoalmente conversas estratégicas, reaproximando lideranças e reafirmando um projeto de futuro para o Acre. A experiência demonstra que eleições majoritárias são vencidas não apenas com estruturas partidárias robustas, mas com a construção de confiança, unidade e sentimento de pertencimento entre aqueles que compõem a base política. Quem conquistou a maioria das prefeituras possui um ativo importante, mas esse ativo precisa ser convertido em unidade, mobilização e engajamento.
O Acre vive um período em que a sociedade espera debates sobre desenvolvimento, produção, infraestrutura, oportunidades e geração de renda. E para conduzir esse projeto é necessário que haja uma base política sólida, organizada e integrada.
Ainda há tempo para ajustes, reencontros e reconstrução de consensos. Afinal, a política é também a arte de reunir pessoas, superar divergências e transformar potencial em resultado concreto. E a grande lição do momento parece ser simples: quem ganhou os municípios não pode perder a política.










