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Passagens aéreas sobem 11,2% no Brasil e alta do combustível amplia desafio para estados isolados como o Acre

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O preço médio das passagens aéreas em voos domésticos aumentou 11,2% em maio de 2026 na comparação com o mesmo mês do ano passado. Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que a tarifa média chegou a R$ 632,53, refletindo, principalmente, a escalada dos custos operacionais das companhias aéreas, com destaque para o querosene de aviação (QAV), que acumulou alta de 68,5% no período.

O combustível é um dos principais componentes do custo das empresas aéreas e tem impacto direto sobre o valor das tarifas. Mesmo com medidas adotadas pelo governo federal para reduzir os efeitos da valorização internacional do petróleo, a pressão sobre o setor permaneceu elevada.

Embora o valor médio nacional permaneça abaixo dos preços praticados em muitas rotas da Região Norte, o reajuste tem efeito mais significativo em estados como o Acre, onde o transporte aéreo é essencial para a mobilidade de passageiros, servidores públicos, pacientes em tratamento de saúde, empresários e turistas. Com poucas alternativas de deslocamento de longa distância, viagens terrestres entre Rio Branco e os principais centros do país podem ultrapassar 3 mil quilômetros e exigir vários dias de percurso.

O impacto também alcança o setor produtivo. O encarecimento das passagens dificulta viagens de negócios, reduz a competitividade do turismo e aumenta os custos de deslocamento de profissionais que dependem do transporte aéreo para atender municípios da Amazônia.

Nos últimos anos, o Acre ampliou sua conectividade aérea, mas ainda opera com oferta limitada de voos em comparação com estados das regiões Sul e Sudeste. A baixa concorrência em algumas rotas, a distância dos grandes centros consumidores e os elevados custos logísticos da Amazônia ajudam a explicar por que os preços das passagens na região frequentemente superam a média nacional, especialmente em períodos de alta demanda.

Os números divulgados pela Anac têm como base informações enviadas mensalmente pelas companhias aéreas e validadas pela agência reguladora. As tarifas consideram apenas o valor do transporte aéreo, sem incluir taxas de embarque, tarifas aeroportuárias ou outros encargos, e são atualizadas monetariamente pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Para especialistas do setor, a evolução dos preços dependerá da estabilidade do mercado internacional de petróleo, da cotação do dólar — já que parte expressiva dos custos da aviação é dolarizada —, da ampliação da oferta de voos e da entrada de novos concorrentes em rotas estratégicas, fatores que podem reduzir a pressão sobre as tarifas nos próximos meses.

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