GOSPEL
China intensifica repressão religiosa e proíbe cristãos de cantar louvores com referências a Deus e Jesus

As autoridades chinesas voltaram a ser alvo de denúncias de perseguição religiosa após uma operação realizada contra uma igreja doméstica no condado de Jinzhai, na província de Anhui. Segundo relatos da organização ChinaAid, fiéis foram impedidos de cantar louvores contendo referências a “Deus”, “Jesus” e “Senhor” e, em seu lugar, teriam sido obrigados a entoar músicas em exaltação ao Partido Comunista Chinês.
A ação ocorreu nos dias 16 e 17 de setembro e envolveu cerca de 30 agentes de segurança, sob o comando do chefe da delegacia de Youfangdian, Wang Xianjie. Durante a operação, celulares dos participantes foram apreendidos e os presentes relataram restrições ao direito de locomoção, incluindo dificuldades para utilizar os banheiros.
Pregadoras foram interrogadas
De acordo com a ChinaAid, duas mulheres que atuavam na pregação da igreja foram conduzidas para interrogatório pelas autoridades. Uma delas permaneceu em confinamento domiciliar por quatro dias após a ação policial.
Ainda segundo a organização, os agentes buscaram informações sobre o pastor Zhang Yuanlai, que atualmente reside nos Estados Unidos e é filho do fundador de uma conhecida rede de igrejas cristãs da região conhecida como “Paulo das Montanhas Dabie”.
As autoridades também teriam ameaçado manter vigilância permanente sobre os responsáveis pela congregação para impedir a continuidade das atividades religiosas.
Organização denuncia violação da liberdade religiosa
A ChinaAid classificou o episódio como mais um exemplo da política de “chinesificação da religião”, estratégia adotada pelo governo chinês para adequar práticas religiosas às diretrizes ideológicas do Estado.
Na avaliação da organização, impor restrições sobre quem os cristãos podem adorar e quais músicas podem cantar representa uma grave interferência estatal na liberdade de culto.
Política de controle religioso
O caso ocorre em meio às políticas implementadas pelo governo do presidente Xi Jinping, que busca ampliar o controle sobre organizações religiosas em todo o país. Nos últimos anos, diversas igrejas domésticas, consideradas independentes do Estado, têm sido alvo de fiscalizações, fechamento de templos, prisões de líderes religiosos e outras medidas de restrição.
Diante do episódio, a ChinaAid pediu que o governo chinês respeite as garantias de liberdade religiosa previstas na Constituição do país e investigue possíveis abusos cometidos durante a operação policial.
A entidade também defende que comunidades religiosas possam exercer sua fé sem interferência estatal e sem sofrer represálias por suas atividades.
Fonte: Good Prime, com informações da ChinaAid e Folha Gospel.









