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RAIMUNDO FERREIRA

Em sua coluna desta quinta, 30, professor Raimundo Ferreira viaja pela nossa descendência, caso tivéssemos sido descobertos por outros países 

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DESCENDÊNCIA E HISTÓRIA DO BRASIL
Buscando fazer um retrospecto sobre nossa descendência, evidenciando especialmente os países que, além de Portugal, ocuparam parte do território brasileiro com o objetivo de explorar riquezas e nos manter sob regime colonial por determinado período, fico a refletir, por exemplo, sobre o meu sobrenome, “Ferreira de Souza”. Caso essas tentativas tivessem se consolidado, poderia ser “Dubois” ou “Beaufort”, ou ainda “Van den Berg” ou “Van Dijk”.
Da mesma forma, o nosso paladar, hoje afeito a churrasco, feijão, arroz e farofa, poderia, quem sabe, estar inclinado a pratos como “coq au vin” ou “cassoulet”, ou ainda “stroopwafel” ou “bitterballen”. Quanto às vestimentas, imaginemos estilos e modelos europeus, adornados com chapéus e outros adereços característicos.
A verdade é que, embora Portugal tenha sido o principal agente da exploração de riquezas e da manutenção deste território como colônia, outros países europeus, movidos pela mesma ambição, tentaram — e, em alguns casos, conseguiram — ocupar partes do Brasil, especialmente na região costeira nordestina, explorando recursos e obtendo lucros relativamente fáceis.
A França foi um desses países. Entre 1555 e 1567, esteve presente no Brasil, ocupando regiões do Rio de Janeiro e do Maranhão. Entre as várias tentativas dos portugueses e da população nativa para expulsar os franceses, foi somente no dia 20 de janeiro de 1567, na Baía de Guanabara, na Batalha de Uruçumirim (ou Batalha das Canoas), que as forças portuguesas, comandadas por Estácio de Sá, com o apoio dos temiminós e do jesuíta José de Anchieta, conseguiram vencer os franceses, que contavam com o apoio dos índios tamoios. A partir daí, foram obrigados a abandonar o Brasil.
Já a Holanda, entre 1630 e 1654, ocupou grande parte do litoral nordestino, iniciando por Pernambuco, avançando pela Paraíba e áreas vizinhas, estendendo-se até Sergipe e Maranhão, com o objetivo de controlar a produção de açúcar.
Devido à grande extensão territorial ocupada e às estruturas implantadas, especialmente em Pernambuco, a presença holandesa foi, sem dúvida, a que causou maior preocupação aos portugueses, exigindo batalhas intensas para retomar o controle das terras brasileiras.
Segundo os registros históricos, após consolidarem essa ocupação, os holandeses enfrentaram dificuldades para administrar a colônia de forma lucrativa. Diante disso, decidiram trazer um administrador capacitado para gerir os negócios: surge, então, a figura do alemão Maurício de Nassau, experiente em guerras e dotado de visão administrativa.
Nassau chegou acompanhado de engenheiros, artistas, intelectuais e profissionais de diversas áreas, promovendo transformações significativas não apenas na economia, mas também nos hábitos e costumes locais. Estabeleceu liberdade religiosa, ofereceu crédito com juros reduzidos aos senhores de engenho endividados para reerguer a produção e impulsionou diversas obras urbanas.
Sob sua gestão, Recife passou por um processo de modernização, com a construção de pontes, represas, teatros, praças, jardins botânicos, zoológicos e instituições de ensino, além do incentivo aos estudos das espécies nativas. Esse período marcou uma fase de desenvolvimento e dinamismo.
Entretanto, esse crescimento começou a declinar por causa da pressão dos fornecedores e do governo da República da Holanda, que exigiam aumento de impostos e maior produção. A situação tornou-se difícil, e Maurício de Nassau não conseguiu mais se sustentar no comando do governo provincial, que, inclusive, já era chamado de Nova Holanda. Em 1644, teve que retornar à Europa.
Em seu lugar, a Companhia das Índias Ocidentais nomeou um conselho, composto por Walter van Schonenborch, Henrique Haecxs e Judas van der. Alinhado ao governo holandês, esse conselho logo impôs um grande aumento de impostos e intensificou as exigências por maiores resultados.
Diante de tal situação, os portugueses, senhores de engenho, juntamente com a população, revoltaram-se e passaram a organizar movimentos para se livrarem desse domínio abusivo. Convocaram líderes indígenas e negros e iniciaram as ofensivas.
Entre as diversas revoltas e lutas, os momentos decisivos foram os embates de 1648 e 1649, conhecidos como as Batalhas dos Guararapes, em Pernambuco. Apesar da superioridade numérica holandesa, os portugueses, aliados a indígenas e negros, conseguiram derrotar os invasores e expulsá-los do Brasil.
Contudo, Portugal foi posteriormente obrigado a indenizar a Holanda em 8 milhões de florins (equivalentes a cerca de 63 toneladas de ouro), conforme acordo firmado no Tratado de Haia, em 1661.
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