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Fim da escala 6×1 pode elevar custos em R$ 267 bilhões e preços em 6,2%, dizem confederações

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A redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários, pode acrescentar até R$ 267,2 bilhões aos custos de produção no país e provocar uma queda de 0,7% do Produto Interno Bruto, equivalente a R$ 76,9 bilhões. As estimativas foram apresentadas pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em meio à discussão no Senado sobre o fim da escala de trabalho 6×1.

A proposta está prevista na PEC 221/2019, que estabelece jornada máxima de 40 horas semanais e dois dias de descanso remunerado por semana. CNI, Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), Confederação Nacional do Transporte (CNT), Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) e Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) divulgaram manifestação conjunta contra a votação da proposta durante o período eleitoral.

As entidades afirmam considerar legítima a discussão sobre a escala 6×1, mas defendem um debate mais amplo sobre os impactos econômicos e diferenças entre os setores produtivos.

Os cálculos da CNI apontam que a redução da jornada para 40 horas poderia provocar aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor. As compras de supermercado poderiam ficar 5,7% mais caras, enquanto os produtos industrializados teriam elevação média de 6%. Para roupas e calçados, a estimativa chega a 6,6%.

A CNC projeta impacto ainda maior sobre a inflação, com aumento de pelo menos 13%. No transporte, a CNT calcula um acréscimo inicial de R$ 11,9 bilhões nos gastos com mão de obra.

Outro impacto seria provocado pela criação do segundo descanso semanal remunerado. Segundo as confederações, somente essa mudança poderia elevar em 9,1% os custos associados aos empregos formais, atingindo inclusive empresas e órgãos públicos que já trabalham com jornadas de 40 horas distribuídas em cinco dias.

No campo, as entidades relacionam a discussão à dificuldade de encontrar trabalhadores. Pesquisa do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP, em parceria com a CNA, aponta que 94,8% dos produtores rurais enfrentam dificuldades para contratar mão de obra e 88,3% já identificam impactos dessa escassez na produção.

As confederações argumentam que uma redução uniforme da jornada atingiria de maneiras diferentes indústria, comércio, transporte, agropecuária, saúde, cooperativas e serviços.

“O setor produtivo reconhece a importância da discussão sobre jornada e escala de trabalho”, afirmam as entidades, que defendem negociação coletiva, regras de transição e adaptações específicas conforme cada atividade.

As seis organizações também consideram inoportuna uma votação durante o segundo turno das eleições presidenciais. Segundo o manifesto, uma mudança dessa dimensão deve ser analisada fora do ambiente de polarização eleitoral e com discussão mais aprofundada sobre emprego, produtividade, inflação e competitividade.

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