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Liderança Ashaninka do Acre alerta para destruição dos rios na fronteira entre Brasil e Peru

A voz de uma das principais lideranças indígenas do Acre ganha espaço em uma produção audiovisual dedicada à preservação das águas da Amazônia. Moisés Piyãko, xamã do povo Ashaninka, é o protagonista de “Águas Transfronteiriças”, vídeo gravado na Aldeia Apiwtxa, no território acreano, que denuncia os impactos do desmatamento, da poluição e da atuação do crime organizado sobre os rios e as nascentes da região de fronteira entre Brasil e Peru.
A produção integra o Ciclo das Águas, iniciativa da Associação Selvagem que reúne vídeos, publicações digitais e materiais educativos gratuitos sobre a relação entre os povos, os rios e os ecossistemas.
O vídeo é o oitavo da série Recados Selvagens e apresenta reflexões de Moisés Piyãko sobre a importância dos cursos d’água para a sobrevivência das comunidades indígenas e a manutenção do equilíbrio ambiental.
“Um rio é como um povo. Um rio, quando está morrendo nessa poluição, é como um povo que está morrendo dentro dessa destruição que estão fazendo com a natureza”, afirma a liderança Ashaninka.
A declaração estabelece uma relação entre a degradação dos rios e as ameaças enfrentadas pelos povos que dependem diretamente das águas para sua alimentação, deslocamento, atividades culturais e organização comunitária.
Na região de fronteira do Acre com o Peru, a preservação das nascentes e dos cursos d’água envolve territórios situados nos dois países. Os impactos ambientais provocados em uma margem podem alcançar comunidades e ecossistemas localizados a quilômetros de distância, acompanhando o percurso dos rios.
A partir da experiência de recuperação e proteção territorial desenvolvida pelo povo Ashaninka, Moisés Piyãko aborda as consequências da destruição ambiental e a necessidade de preservar as águas que atravessam fronteiras nacionais.
A produção também amplia a reflexão para outras regiões do planeta. O xamã chama atenção para os efeitos das guerras e da utilização de substâncias químicas sobre os recursos naturais, relacionando a contaminação ambiental à continuidade da vida humana e dos demais seres vivos.
A Aldeia Apiwtxa, onde o vídeo foi gravado, está localizada na Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, no município de Marechal Thaumaturgo, no Vale do Juruá. A comunidade é reconhecida por iniciativas de proteção territorial, recuperação ambiental e valorização dos conhecimentos tradicionais do povo Ashaninka.
A experiência da comunidade constitui uma das referências apresentadas na produção para discutir a relação entre conservação da floresta, proteção dos rios e autonomia dos povos indígenas.
A reportagem sobre o vídeo foi divulgada pela agência Amazônia Real, que destacou o alerta de Moisés Piyãko sobre os riscos ambientais na região transfronteiriça.
O Ciclo das Águas reúne diferentes perspectivas sobre a importância da água para a vida no planeta, combinando conhecimentos indígenas, reflexões ambientais e produções audiovisuais.
“Águas Transfronteiriças” integra a série Recados Selvagens, da Associação Selvagem. O vídeo e os demais materiais do Ciclo das Águas estão disponíveis gratuitamente nos canais digitais da instituição.










